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Descubra quem são os Dantas da política

por Manuel_AR, em 26.11.14

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Uma crónica sobre o Manifesto Anti Dantas, escrito por Almada Negreiro, levou-me a fazer a sua releitura e achei a sua atualidade inegável face aos Dantas e comentadores da política que por aí proliferam.  


Júlio Dantas foi uma espécie de "chico cortiça" que se compatibilizou com todos os regimes políticos da sua época desde a Monarquia até ao Estado Novo, passando pela Primeira República e, daí, Almada Negreiros e outros intelectuais da época o terem considerado oportunista e retrogrado. Foi deputado pela Monarquia, ministro da educação na Primeira República e embaixador no Estado Novo.


Sem mais, passo a transcrever extratos do referido poema deixando que cada um faça as associações convenientes ao que hoje se passa pela política e por quem nos governa.


Todavia, faço questão de esclarecer que ser antipolíticos (anti alguns) não é o mesmo que estar contra a política nem contra todos os políticos.


Não sou Dantas, não sei escrever, não sou antipolítica mas aqui vai.


Veja também os vídeos.


 


 Basta pum basta!!!


 


Uma geração que consente deixar-se representar por um Dantas é uma geração que nunca o foi. É um coio d'indigentes, d'indignos e de cegos! É uma resma de charlatães e de vendidos, e só pode parir abaixo de zero!


 


Abaixo a geração!


 


Morra o Dantas, morra! Pim!


 


Uma geração com um Dantas a cavalo é um burro impotente!


 


Uma geração com um Dantas ao leme é uma canoa em seco!


 


…………………………………………………………………….


O Dantas é um habilidoso!


…………………………………………………………………….


 


O Dantas é Dantas!


 


O Dantas é Júlio!


 


Morra o Dantas, morra! Pim!


 


O Dantas fez uma soror Mariana que tanto o podia ser como a soror Inês ou a Inês de Castro, ou a Leonor Teles, ou o Mestre d'Avis, ou a Dona Constança, ou a Nau Catrineta, ou a Maria Rapaz!


 


E o Dantas teve claque! E o Dantas teve palmas! E o Dantas agradeceu!


 


O Dantas é um ciganão!


 


Não é preciso ir pró Rossio pra se ser pantomineiro, basta ser-se pantomineiro!


 


Não é preciso disfarçar-se pra se ser salteador, basta escrever como o Dantas! Basta não ter escrúpulos nem morais, nem artísticos, nem humanos! Basta andar com as modas, com as políticas e com as opiniões! Basta usar o tal sorrisinho, basta ser muito delicado, e usar coco e olhos meigos! Basta ser Judas! Basta ser Dantas!


 


Morra o Dantas, morra! Pim!


 


O Dantas nasceu para provar que nem todos os que escrevem sabem escrever!


 


O Dantas é um autómato que deita pra fora o que a gente já sabe o que vai sair... Mas é preciso deitar dinheiro!


 


O Dantas é um soneto dele-próprio!


 


O Dantas em génio nem chega a pólvora seca e em talento é pim-pam-pum.


 


……………………………………………………..


 


Morra o Dantas, morra! Pim!


 


O Dantas é o escárnio da consciência!


 


Se o Dantas é português eu quero ser espanhol!


 


………………………………………………………………….


 


O Dantas é a meta da decadência mental!


 


E ainda há quem não core quando diz admirar o Dantas!


 


E ainda há quem lhe estenda a mão!


 


E quem lhe lave a roupa!


 


E quem tenha dó do Dantas!


 


E ainda há quem duvide que o Dantas não vale nada, e que não sabe nada, e que nem é inteligente, nem decente, nem zero!


 


………………………………………………………..


 


E as convicções urgentes do homem Cristo Pai e as convicções catitas do homem Cristo Filho!...


 


E os concertos do Blanch! E as estátuas ao leme, ao Eça e ao despertar e a tudo! E tudo o que seja arte em Portugal! E tudo! Tudo por causa do Dantas!


 


Morra o Dantas, morra! Pim!


 


Portugal que com todos estes senhores conseguiu a classificação do país mas atrasado da Europa e de todo o Mundo! O país mais selvagem de todas as Áfricas! O exílio dos degredados e dos indiferentes! A África reclusa dos europeus! O entulho das desvantagens e dos sobejos! Portugal inteiro há-de abrir os olhos um dia - se é que a sua cegueira não é incurável e então gritará comigo, a meu lado, a necessidade que Portugal tem de ser qualquer coisa de asseado!


 


Morra o Dantas, morra! Pim!


 


Autor: Almada Negreiros (1893-1970)


Ler a versão completa em: http://www.munseys.com/diskfive/adan.pdf


 


 



Pim! from Gonçalo Nobre on Vimeo.


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publicado às 17:37


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