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Curem-se, mas é!

por Manuel_AR, em 23.01.22

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Não é apenas com debates nas televisões, na rádio e com as arruadas dos partidos que se faz campanha eleitoral, nas empresas de comunicação social também acontece de modo mais sofisticado. 

A SIC e o semanário Expresso entraram na campanha eleitoral e de tempo de antena com o PSD de Rui Rio. Basta estar atento e perceber as conotações que são feitas ao relatarem os factos relacionados coma campanha. A minha leitura é que alguns artigos são tendenciosos e projetam-se no favorecimento do PSD. Mas isto é a minha opinião, mas há outras que tem pontos de vista contrários nomeadamente os que são da fação daquela fação clubística.

Ontem dia 22/01 a SIC no noticiário das 20 horas numa das partes até parecia o canal do direito de antena do PSD. Foi uma tristeza a peça apresentada sobre a campanha eleitoral do PSD em comparação com a do PS e outros partidos. No caso do PS vimos apenas o plano de um sala vazia e durante o relato do reporter apenas a passagem de imagens fixas. Uma falta de isenção esta SIC.

A falsidade prolifera nos comentários e nas promessas que atravessam a comunicação social ávida do regresso de uma direita que imponha uma austeridade castradora de direitos a uns e distribuidora de privilégios a outros, ao mesmo tempo que acenam para todos com a bandeira demagógica ds baixa dos impostos para caçar votos, sem a certeza das promessas poderem ser cumpridas por impossibilidade de o fazerem quando o poder lhes cai nas mãos. E as escusas podem ser várias e fáceis de arranjar.    

Nesta campanha todos apostaram em associar-se implicitamente para a derrota de António Costa e do Partido Socialista, da extrema-direita à extrema-esquerda associados no desígnio para derrubar e enfraquecer o PS.

Que a motivação e o objetivo sejam as dos partidos da direita, nomeadamente do PSD, compreende-se porque a derrota de um pode conduzir à vitória de outro, mas dos outros partidos da esquerda não se justifica se não for a caça a uns votinhos que apenas obterão se vierem do PS. Se as direitas juntamente com o PSD ganharem estas eleições bem podem os seus adeptos agradecer ao BE e ao PCP-CDU. Por mais que afirme o contrário, Catarina Martins e o BE, e também o PCP, foram quem nos mergulhou nesta situação tão lesiva para todos portugueses que ela diz defender repetindo sempre a mesma cassete.

Ainda a propósito da campanha eleitoral, mas noutro sentido, o cinismo e a hipocrisia dos partidos estão a caminho da confirmação da triste evidência que é a de não cuidarem da salvaguarda da sobrevivência da democracia e da defesa do bem comum em termos de saúde pública perante esta nova realidade sanitária demonstrado nos comportamentos nas arruadas, tudo ao molho e fé no quer que seja.

É fácil preverem-se discursos futuros com narrativas eivadas de cinismo desculpando-se com o governo em transição se a coisa der ainda mais para o torto no que respeita a esta pandemia que está a propagar-se e que poderá vir a entrar numa fase sem controle.

Os líderes do CDS, do Chega e da IL deslocam-se pelo país mostrando-se sem máscara ou só a colocando quando as câmaras das televisões os captam e, mesmo assim, esquecem-se de as colocar. Não dão muito nas vistas porque a sua capacidade de atração nas arruadas não funciona tão bem nem se aproxima da dos apoiantes do PSD e PS que fazem autênticas aglomerações de irresponsabilidade sanitária.

Fazemos caricatura do líder de partidos como o ADN – Alternativa Democrática Nacional que se insurge contra as restrições e se nega a ser testado à covid-19 troçando dos cidadãos responsáveis quando estes que se protegem a si e aos outros e ao mesmo tempo os partidos ditos responsáveis zombam de nós todos quando os vemos  nas arruadas durantes a campanha para as legislativas como se nada estivesse a acontecer passando aos cidadãos uma imagem de irresponsabilidade transmitida pelos dirigentes partidários.

Durante esta campanha para as legislativas trata-se tudo menos do que realmente interessa aos portugueses e brandem argumentos para tudo desde que sirvam para cada um puxar a brasa à sua sardinha. Tudo lhes serve para ajudar ao seu querido partidinho de direita e de extrema-esquerda. Baseiam-se em pequenos casos e generalizam. A generalizações podem degenerar em mentiras. É como a tal coisa de irmos a uma janela, vermos uma andorinha, abrimos a janela e gritarmos para a rua: “OLHEM JÁ É PRIMAVERA, JÁ É PRIMAVERA”. Afinal estava um frio de rachar, como está hoje, e afinal ave não era mais do que um pardal. Curem-se, mas é!  

Mesmo que se confrontem com a realidade ao pé da porta o instinto clubista rejeita argumentando que demonstram essa mesma realidade. Isto é, buscam argumentos para distorcer a realidade que perpassa nos seus olhos.

Com o cheiro do poder tudo serve para defenderem o seu clube partidário cujo “treinador” antes renunciavam, mas que agora lhe tecem elogios correndo atrás dele. Vejam-se como os neoliberais “passistas“ como Montenegro, e outros que se agarram agora a quem antes queriam derrubar para darem uma ilusão de união. São estes que irão pressionar Rui Rio/PSD a modificar o seu programa inconsistente para um outro onde o neoliberalismo se imporá como no tempo de Passos Coelho.    

Há treinadores sobreviventes apesar das propostas que apresentam serem demagógicas e, na prática difíceis de concretizar, e eles sabem-no.

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publicado às 19:37


3 comentários

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De Zé Onofre a 24.01.2022 às 01:22

Boa noite, Manuel

Quando se reduz umas legislativas, ou outras eleições quaisquer, a um julgar "quem é o culpado", mal vai a democracia.,
Quando se reduz umas legislativas, ou outras eleições quaisquer, a uma luta entre o Fulano A e o Fulano B, mal vai a democracia.
Quando se reduz umas legislativas à escolha do futuro Primeiro Ministro - mentira propagandeada pela Partido A e pelo partido B - e largamente divulgada pelos seus acólitos nos meios de comunicação social, mal vai a democracia.
Quando se menorizam votos conscientes no "meu partido", para votar no do mal o menos, mal vai a democracia.
Quando o partido A e o partido B assumem que ou votam neles ou é o dilúvio, ou o terramoto, chantageando os eleitores para que não votem em outros partidos, porque serão votos perdidos - certamente para os partidos A e B - mas votos que seriam ganhos pelos partidos a quem aqueles votos seriam devidos, não fora a ameaça do "ou eu, ou o diabo", que a imprensa tem o direito de desmontar e desmascarar, mas que não só o não fazem, como o corroboram, desdenhando a sua obrigação de informar, mal vai a democracia.
«Mesmo que se confrontem com a realidade ao pé da porta o instinto clubista rejeita argumentando que demonstram essa mesma realidade. Isto é, buscam argumentos para distorcer a realidade que perpassa nos seus olhos.»
Quem afinal confronta a realidade e a distorce, não são os partidos que defendem os seus princípios e não abdicam deles por um prato de lentilhas, mas aqueles que fazem chantagem com os eleitores naturais daqueles partidos, nem que sejam apenas dez votos.
Quem confronta a realidade são aqueles jornalistas e comentadores que nos querem vender a banha da cobra - ou o partido A ou o partido B, o resto é coboiada.
Os culpados desta situação - O Pântano, como dizia Guterres - são aqueles que usam argumentos falsos e desrespeitadores da Constituição para chegarem ao poder pelo poder e não com um projeto de sociedade que mobilize os eleitores a votarem neles.
Pontos de vista diferentes, sem dúvida.
Boa semana
Zé Onofre

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De Manuel_AR a 27.01.2022 às 17:09

Olá! Li o seu comentário e, em parte, concordo com o que escreveu, todavia, apesar de respeitar o seu ponto de vista a razão pode não estar sempre do lado de quem emite uma opinião, eu incluído.
Numa má ou boa decisão que seja tomada há sempre responsáveis, criticados num caso e elogiados no outro. A culpabilização aqui não corresponde a uma sentença, a uma condenação, mas antes à aceitação da autocrítica quanto a uma decisão que se poderá tomado precipitadamente e erradamente. A autocritica pode ter como consequência a mudança de estratégias partidárias. Isto também faz parte da democracia e há partidos que internamente a praticam individual e coletivamente. Mas quanto a isto tenho algumas reservas.
Vivemos numa democracia pluripartidária com várias possibilidades de escolha e, quando há legislativas, como afirma e bem, há uma tendência redutora tendo em vista tomar as eleições como uma “escolha do futuro Primeiro-Ministro”, o que é errado. O que interessa são as propostas de Governo e a sua exequibilidade e não as pessoas. De facto, no nosso país há muito a tendência de olhar para as pessoas e não para as políticas. Lembro-me no tempo em que pela primeira-vez Passos Coelho se candidatou pelo PSD haver pessoas que avaliavam o seu perfil político pela fisionomia que, segundo elas, daria um bom primeiro-ministro. Viu-se depois a irracionalidade da avaliação.
Contudo, temos que perceber que, por detrás das pessoas que se apresentam “a concurso” estão os líderes que apresentam demagogicamente o programa e as propostas em nome dos seus partidos. Quando dou opinião sobre um líder partidário refiro-me às políticas que ele apregoa em nome do partido que, supostamente, serão as do partido que representa. Se será esse ou outro o primeiro-ministro é-me indiferente. No entanto, há que ter em vista que essa pessoa poderá, vir a ser um bom ou mau executante da tarefa governativa, o que é por vezes ilusório.
Mal ou bem, até mais mal do que bem, a campanha eleitoral serve mesmo para isso “chantagear” os eleitores, prometer o inexequível, criar ilusões. Em grande parte, o problema está nos eleitores que são autênticos cataventos que na torre da indecisão alteram o seu sentido de voto consoante lhes agradou mais ou menos o A ou o B. Dizem hoje que vão votar no A porque gostaram de o ouvir, amanhã decidem votar no B porque disse algo que também gostaram de ouvir. Se me perguntarem o que acho do programa do partido e que vantagens terá para mim e para muitos outros como eu a resposta seria: qual proposta? E acrescentavam, sim acho que sim!
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De Anónimo a 27.01.2022 às 19:20

Boa noite, Manuel

Tenho um amigo que tradicionalmente vota PSD.
Quando das últimas eleições internas dentro desse partido, dizia esse meu amigo - Se o Rangel ganhar não voto PSD.
Perguntei-lhe - Votas no Partido, ou na Pessoa?
Não me respondeu.
Uma Boa noite.
Zé Onofre

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