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O programa do PSD e deste Governo assentariam sempre na aplicação das mesmas premissas ideológicas ultraliberais mesmo que não tivessem existido os precedentes governativos que, de forma cansativa, tantas vezes referem.



 


 



 O que aconteceria se o governo atual (PSD e CDS) estivesse a governar sem a ajuda internacional da “troika”e com Passos Coelho como primeiro-ministro? Como nos encontraríamos agora? O que faria então o governo?


 


Tendo em conta as declarações atuais e os responsáveis pelo governo e os seus comentadores políticos a culpa é da “troika” e da intervenção externa que nos obrigou à perda de soberania e, por tal são justificadas as medidas até agora adotadas.


Sem a intervenção da “troika” que medidas e que caminho teria então tomado o Governo para equilibrar as finanças públicas e reduzir o défice para 3% a que obriga a EU? Com grande probabilidade seriam precisamente as mesmas das que tomou


com a presença da “troika”.


Vejamos então. Em 19 de maio de 2011 Passo Coelho apresentou, num hotel em Lisboa, as linhas mestras do programa eleitoral do PSD. Afirmou então com pena convicção que “este programa está muito além do memorando da troika”. Facilmente se poderá concluir que, com ou sem a “toika”, o programa do PSD seria, na prática, o mesmo que tem vindo a aplicar.


Para corrigir as conta públicas estava também implícito no programa do PSD que haveria na mesma cortes no Estado Social, redução das despesas do Estado e, consequentemente, cortes nos salários, nas reformas, nas pensões e dispensa de trabalhadores do setor público.


Quanto às privatizações o programa do PSD, pela voz de Passos Coelho, referia que “o plano de privatizações da troika não defende todas as privatizações. Nós queremos que isso se estenda aos órgãos de comunicação social.”. Referia ainda Passos Coelho que o país tinha um nível de desemprego que ameaçava a coesão e a justiça social pelo que era necessário colocar a economia portuguesa a crescer. Considerando que, como premissa inicial, o programa do PSD iria fazer reformas estruturais que iriam para além da “troika” como ele afirmou, logo, a aplicação das suas medidas, mesmo sem a “troika”, iriam conduzir aos mesmos resultados, isto é, o aumento desenfreado do desemprego como o  que se verifica atualmente.


O programa de governo do PSD/CDS entregue na Assembleia da República em 28 de junho de 2011 confirma o que se acaba de referir. É portanto, fácil concluir que, mesmo sem a “troika”, estaríamos na mesma situação em que nos encontramos ou pior ainda, mesmo que não tivéssemos a dívida e os juros adicionais que somos obrigados a pagar às instâncias internacionais devido à assistência a que estamos sujeitos.


Em conclusão, mesmo sem a “troika”, as medidas que foram tomadas e as que ainda irão ser tomadas por este Governo, e que nos afetam a todos, seriam as mesmas. Portanto, a responsabilidade da destruição do tecido social e empresarial não é nem só da “troika” nem só dos governos seus antecessores. Que fizeram mal já nós sabemos, mas não justifica tudo. O programa do PSD e deste Governo assentariam sempre na aplicação das mesmas premissas ideológicas ultraliberais mesmo que não tivessem existido os precedentes governativos que, de forma cansativa, tantas vezes referem. 


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publicado às 22:46



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