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Candidatos à presidência e o comentador

15.12.25 | Manuel_AR

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Livrem-nos de mais um comentador político de televisão na Presidência. Marques Mendes, o comentador candidato à Presidência, não faz campanha, faz comentário, até mesmo nos debates. Estou a vê-lo e a ouvi-lo tal e qual como era na SIC.

Marques Mendes é o candidato do PSD e do CSD, vulgo AD. A família SIC nos comentários após os debates coloca Marques Mendes com classificações acima das do adversário. Outra coisa não seria de esperar. Quando era comentador ele fez parte da família SIC ligada ao PSD. A sua “deformação” profissional como comentador não o vai abandonar o que tem sido evidente nos debates. Se for eleito será um Presidente comentador, mais do que Marcelo. Será um Presidente versão comentador 2.0.

Durante a campanha eleitoral não se desligou dos “tics” de comentador e os argumentos vão na mesma linha. Imagine-se Marques Mendes no papel de Presidente da República a comentar e a pronunciar-se tal e qual como se estivesse numa entrevista e lhe colocassem a pergunta de qual deve ser o papel do Presidente. É um fartote!

A originalidade está a faltar-lhe. Os comentadores da família SIC, especialmente a ancilosada João Avillez, espero não me ter enganado, será com dois “ll”?, espreme-se toda em elogios e em notas altas a Marques Mendes como se fosse o seu aluno preferido.

Marques Mendes não será um Presidente isento, isso vai contra a sua natureza, aliás, não há isenções ideológica elas ficam marcadas no ADN em políticos como Marques Mendes, assim como em outros.

Alguém acha que haverá isenção com Catarina Martins, António Filipe e Cotrim de Figueiredo entre outros? Provavelmente não! Em política, “isenção”, refere-se principalmente ao dever de imparcialidade, apartidarismo e não tirar proveito pessoal das funções públicas. Quem foi político e ideologicamente dedicado a partidos a imparcialidade será muito difícil de conseguir. Exemplos foram poucos ao longo dos cinquenta anos de democracia, mas eram outros tempos e essa exigência era imprescindível.

O “fofinho” António José Seguro levanta as mãos para mostrar que as tem limpas. Ao despertar do seu sono letárgico da política diz que tem a experiência política necessária, ele que é professor universitário e também um pequeno empresário, como se definiu num debate com Gouveia e Melo.

Entre Marques Mendes e Seguro quem se venha a escolher para presidente não se ganha nada. É comentador contra político adormecido. Mas se para si a política e o futebol são a mesma coisa então pode votar em André Ventura, este também comentador que foi comentador, mas de futebol e transferiu o mesmo ânimo para a política. Dará um bom Presidente se for para decidir quem terá chutado a bola para o canto e passará a ser um árbitro que irá marcar falta sempre aos mesmos.

Parece não haver dúvidas de que quem sempre esteve na política, foi dirigente ou militou em partidos políticos terá grande dificuldade com o distanciamento exigido pelo cargo. O esforço pela independência não chega.

Ao longo de quase meio século apenas houve um presidente da república que se partidarizou, mas após ter saído da presidência. Recordam-se de António Ramalho Eanes que em 1985 que estava a cumprir o seu segundo mandato iniciado em 1981 e terminando em março de 1986, e que após esse período esteve ligado à fundação do Partido Renovador Democrático (PRD), que surgiu em 1985, quando ele ainda era Presidente da República, tendo liderado o partido brevemente após deixar Belém.