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Crítica e opinião sobre quase tudo. Como vejo a política, bem ou mal, ao correr da pena com origem em fontes fidedignas. Comunicação, lifestyle, sociedade, ambiente, trabalho, migrações e tanto mais.

Abstenção pode ser um apoio à direita

24.05.14 | Manuel_AR



Faltam pouco mais de 24 horas para o ato eleitoral, oportunidade única durante os próximos cinco anos de dizermos à Europa quem queremos no Parlamento Europeu e rejeitar quem dos que nos governam se colaram aos neoliberais que dominam aquele parlamento.


Também é importante que os portugueses digam não aos neoliberais aqui em Portugal que, durante a campanha eleitoral, vestiram agora, novamente, a pele de cordeiro e mudando o discurso para os enganar. Tivemos até agora a experiência de governação de uma direita neoliberal colada aos radicais europeus da sua família política que diziam que somos todos uns calões que não gostamos de trabalhar e que, vejam só, vivíamos para além das nossas possibilidades.


Enquanto a direita se une porque tem um fim em vista e encontram pontos comuns, à esquerda do Partido Socialista, do PCP e do BE, proliferam partidos que apesar de terem todo o direito de se fazer representar conduzem à dispersão de votos.


esta campanha eleitoral por parte da CDU o alvo não foi a direita europeia ou a de Portugal, foi o PS, o parceiro à sua direita, o principal alvo dos ataques e, cujo objetivo, será apenas ganhar meia dúzia de votos onde os pode mais facilmente ir buscar o que não vai resolver nada em termos europeus nem nacional. Poderia até o PCP ter razão quanto às políticas seguidas pelo PS na altura da queda do Governo de José Sócrates mas o que é certo, é que, quer o PCP, quer o BE, ajudaram e muito a que a direita neoliberal ocupasse o poder. Até parece que o preferiram sabendo, mesmo assim, que não ganhavam nada com isso. Foi o que sucedeu nas eleições legislativas de 2011 e viu-se o resultado, a obtenção pelo PCP de um escasso resultado de 7,9% e 5,7% do BE.    


Não interessa em que partido se vote mas a abstenção não é solução, especialmente neste momento, porque poderá fornecer argumentos à coligação para justificar a sua ação, considerando que os valores da abstenção serão dados como aceitantes da política deste últimos três anos ou até que a abstenção foi a vencedora. Ir votar não é uma operação dolorosa mas um ato cívico que nada custa exercer.  


Quando votarem recordem-se dos três últimos anos e da destruição social que a coligação Aliança Portugal provocou: jovens contra idosos, privado contra público, desempregados jovens contra os empregados muitos deles pais desses mesmos jovens, cortes cegos nas bolsas de investigação científica e na cultura, muitos desempregados sem direito a subsídio de desemprego, destruição do tecido empresarial, grande parte dele constituído por pequenas e médias empresas, muitas delas familiares, sob o pretexto de serem obsoletas e que deveriam dar lugar a outras, deterioração, e, em alguns casos, destruição do Serviço Nacional de Saúde, aumento de impostos, tentativas de acabar com o ensino público canalizando verbas dos impostos para escolas privadas, mesmo em locais onde exista oferta pública, promessas falsas e não cumpridas, prejuízo sempre das populações mais frágeis, etc., etc..


 


Mas, se isto não, chega recorde-se o que o primeiro-ministro dizia antes de tomar o poder:


 


A política de privatizações em Portugal será criminosa nos próximos anos se visar apenas vender ativos ao desbarato para arranjar dinheiro.


 O país tem vindo a fazer poucos progressos no combate à pobreza.


Acusava-nos o PS de querermos liberalizar os despedimentos. Que lata.


Nunca concordei com taxar cada vez mais os impostos indiretos. Esta prática pode revelar-se profundamente injusta.


A ideia que se foi gerando de que o PSD vai aumentar o IVA não tem fundamento.


Precisamos de valorizar mais a palavra, para que quando for proferida possamos acreditar nela.


Não contarão connosco para mais ataques à classe média


Se vier a ser necessário, ainda, algum ajustamento fiscal, a minha garantia é a de que ele será canalizado para os impostos sobre o consumo e não para os impostos sobre os rendimentos das pessoas.


Não se pode cortar cegamente.


Já ouvi o primeiro-ministro dizer, infelizmente, que o PSD quer acabar com o 13º mês, mas nós nunca falámos disso e isso é um disparate.


 O PSD aposta no crescimento da economia e aposta em que toda a austeridade seja agora feita pelo Estado e não pelos portugueses.


 O Estado tem de dar o exemplo.] Não devemos aumentar os impostos. O orçamento que foi apresentado na Assembleia este ano, de alguma maneira vai buscar a quem não pode fugir, aos funcionários públicos.  


Se eu fosse primeiro-ministro não estávamos hoje com as calças na mão.