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Portugal Manual de Instruções, de Ricardo Costa,  é um livro de fácil leitura, bem escrito ao bom  estilo jornalístico que apresenta uma visão interpretativa séria, com algum esforço de isenção, mas, por vezes, pretensiosamente independente.


A clareza da linguagem oferece-nos um conjunto de factos relativos ao passado recente e ao presente da política portuguesa mesmo para aqueles que não gostam da complexidade da análise e do debate político feita apenas para alguns.


 



 


Apesar de se intitular um liberal, as suas convicções ideológicas e políticas não obstaram críticas à atual governação que confronta com a realidade portuguesa que se vive.


No essencial  não é um livro polémico mas, no que se refere aos passados governos de José Sócrates, desculpabiliza de algum modo a estratégia seguida pelo PSD para a tomada do poder, ao afirmar que o PEC IV ( e outros que se seguiriam, digo eu) não   iria resolver qualquer problema inclusive a vinda da troika. Poderia ter sido uma espécie de programa cautelar sem a austeridade violenta de um programa de ajustamento que Passos Coelho tanto ambicionava. Não se pode afirmar que o PEC IV não resultaria sem se ter em conta o estilo do antigo primeiro-ministro e as suas relações com o exterior no sentido de abertura de uma solução. Houve de facto um ataque ao poder desencadeado pelo atual primeiro-ministro e pelo PSD, apoiados pela esquerda radical, e isso pode ter sido o início da explosiva crise social e económica que estamos a viver.


As PPP's são um tema que diz servirem apenas "como armas de arremesso político" em vez de ser analisadas como "exemplos de erros políticos". São todos culpados, uns mais do que outros e há PPP's boas e outras más. Por seu lado, Cavaco Silva e o caso BPN e SLN são tratados com luvas brancas.


Ricardo Costa tece criticas sem exceção aos anteriores e atual governo, apontando no sentido de que as reformas estruturais tinham que ser tomadas e deverão continuar a ser tomadas, não esclarecendo como e quais, se bem que não seja esse o objetivo do livro. Não tece acusações é certo, mas vai apontando responsabilidades mais dirigidas ao passado, manifestando opinião favorável ao presente porque, para ele, nada vai ficar como dantes.


Para o autor a esquerda como alternativa ao poder não existe porque não se une, pelo que resta apenas a viabilidade  dum pacto entre PSD e PS. Nas entrelinhas podemos ler a forma como ele qualifica de AD a coligação PSD-CDS, como já houve no passado, e uma potencial aliança PS-PSD de bloco central, que também já houve no passado. Afinal parece que há sempre situações em que se pode voltar atrás!


Quem leia este livro não espere que tudo lhe irá agradar, quer sejam de direita quer sejam de esquerda.  Há que saber fazer as leituras convenientes sem quaisquer sectarismos político e ou partidário. Do meu ponto de vista não há independência absoluta no jornalismo e na interpretação dos factos políticos. Quem escreve sobre política acaba sempre por se denunciar mesmo que faça um esforço para ficar partidariamente equidistante. O tempo do todos e apenas a "Bem da Nação" já lá vai, para alguns com grande desgosto.


De qualquer modo é um livro com atualidade política cuja leitura não se deve fazer esperar.

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publicado às 17:49


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