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As máfias tipo Cosa Nostra funcionavam com sua hierarquia estrutura vertical e centralizada o que é incompatível com a flexibilidade negocial exigida hoje em dia pelos negócios de qualquer organização mesmo que mafiosa.

Os pedidos de favores que forem concedidos terão um custo que é a contrapartida que, quando necessário, e oportuno, os favorecidos terão que pagar através de um preço por vezes demasiado alto que não será apenas monetário. Para tal a “organização” exerce pressão sob a forma de chantagem.

Recordo-me de um filme muito antigo que vi em 1962 quando era jovem, Mafioso, realizado por Alberto Lattuada e protagonizado por Alberto Sordi no papel de Antonio Badalamenti. Nino, (Alberto Sordi), reencontra Don Vincenzo (Ugo Attanazio) o chefe da “organização”. Durante a narrativa fílmica vemos como, por pequenas etapas, uma armadilha fecha-se, pouco a pouco, sobre Nino, a partir do pedido do diretor da fábrica onde trabalhava para que ele leve um presente ao homem rico da sua aldeia. Em síntese: em vez de ir caçar perdizes e lebres, como pensava Nino é levado a “caçar” outro homem sob pena dele próprio e da sua família se transformarem em caça caso não o fizesse. Nino acabava de ser escolhido para realizar uma missão para a máfia. Mas nada lhe é dito abertamente, fica tudo subentendido em meias palavras.

O que é que o filme tem a ver com a aprovação do O.E.? Nada. Mas o facto é que podemos estabelecer uma analogia com o que se está a passar com os partidos da extrema-esquerda PCP e BE que têm feito, ao longo das últimas semanas, uma espécie de chantagem. Durante os dois últimos anos prestaram “favores” ao Governo PS aprovando orçamentos (no último apenas aprovado pelo PCP) , agora, como retorno desse favor, exigem-lhe um preço demasiado alto utilizando como arma (a chantagem) a possibilidade de não aprovação do Orçamento de Estado para 2022 que, nesta hora em que escrevo já foi anunciada. Pretendiam como objetivo final a obtenção de todas as exigências algumas delas impossíveis de cedência por colocarem em risco a sustentabilidade financeira e económica do país. Numa espécie de hooliganismo partidário não facilitaram nem possibilitaram qualquer espécie de consenso passando o Orçamento ser o da extrema-esquerda BE e PCP que passaria a ser uma mera amostra da razoabilidade do inicial.

 

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publicado às 18:41


3 comentários

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De Zé Onofre a 25.10.2021 às 19:52

Boa noite, Manuel
Só não concordo com a analogia à "Cosa Nostra" e chamar "chantagem" aos quesitos do BE e do PCP.

Creio - a minha opinião que não é certamente a verdade absoluta e talvez seja mesmo só a minha verdade - que BE e PCP - mais o último que o primeiro - que "Um Governo" - seja qual for o governo que estiver de serviço - desta democracia, a que temos e a que nos é permitida, iria ceder algo de substancial que pusesse em causa o "status quo".
Ao PS saiu-lhe o tiro pela culatra. Convenceu-se que continuaria a enganar "os tolos, os que são da Terra e os que para lá vão". Uma coisa é certa o PS sabia desde 2016, que nunca a Sede do Poder que de facto nos Governa - Bruxelas/Berlim - alguma vez o deixaria ir mais longe do que uma pincelada de verniz aqui e acolá, desde que não alterasse por completo a estrutura.
Enfim, uma comédia de enganos.

Zé Onofre
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De Manuel_AR a 26.10.2021 às 17:09

Caro Zé Onofre, o caso da Cosa Nostra nada tem a ver com o PCP nem com o BE foi apenas uma maneira de poder introduzir o tema chantagem. Sim, porque na política também se usa muito. Tem havido uma certa corrente que avança que o BE e o PCP têm perdido muitos eleitores com o envolvimento com o PS no que se refere aos orçamentos e outras medidas. Andarem até à última neste bailarico, arrastando o noivo na pista em vez de o aproximar, especialmente o PCP, a quem o PS foi cedendo dando a mão para a dança foi um erro e, desta vez, falta de antecipação de visão política de Costa e falta de honestidade dos partidos à sua esquerda, sobretudo do PCP, partido que eu respeito, mas com que nem sempre concordo. Se já sabiam que o PS não passaria de certo pontos então cortavam o mal pela raiz e diziam logo não. Do meu ponto de vista para aqueles dois partidos a questão que se coloca é mais uma questão de sobrevivência partidária, do que interesse para com a maior parte da população. Note-se que nas últimas autárquica baixaram imenso. Esperemos que não se arrependam num futuro próximo.
Abraço.
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De Zé Onofre a 26.10.2021 às 19:59

Boa tarde,Manuel

Desde o 25 de Abril de 1975 que sempre votei PCP, ou em branco.
Como sou do distrito do Porto durante uma campanha estive casualmente com o candidato Jorge Machado e disse-lhe mais ou menos isto - 1º porque é que os votos branco e anulados e nulos, não têm cadeiras vazias no Parlamento. 2º Para mim votar PCP ou em branco tem o mesmo sentido político, mas votando PCP sempre a cadeira é ocupada, embora nada de significante resulte dessa cadeira. 3º O projecto de Sociedade que o PCP defende - pode-se concordar ou discordar, mas é o dele - não se joga em actos eleitorais mas junto dos trabalhadores, pequenos industriais e pequenos comerciantes, trabalhadores por conta própria e juventude estudantil e desempregada.4º - Não acha que a passeata dos dirigentes partidários - no caso do PCP, o secretário-geral - por todos os círculos eleitorais não será passar-lhe, a si que é candidato, e aos outros um atestado de minoridade? Depois queixam-se que o Presidente do PPD/PSD e o secretário-geral do PS se apresentem como candidatos a "1º ministro" cargo que não é electivo segundo a constituição?
Este foi o teor das minhas perguntas críticas ao candidato pelo Círculo do Porto à Assembleia da República.
Em 2016 o PCP, mais do que nunca entrou no jogo eleitoral. Não sei o que ele esperaria mais do PS do que um remendo aqui, outro acolá. Se só este ano se apercebeu disso acordou tarde.
Quanto à perda eleitoral do PCP, não acredito que advenha de aprovar ou desaprovar OE. Se em 1975 e até à década de 90 o PCP teve uma votação significativa deveu-se - segundo a minha opinião - à luta anti-fascista e reivindicativa do PCP durante o Salazarismo e prolongou-se até à década de 90
ainda pela luta sindical.
Quando a memória da luta anti-fascista durou e os trabalhadores começaram a ser colaboradores com computador de secretária e transportador portátil, covencenram-se que serem operários era negativo e ser sindicalizados era reconhecer a sua condição de menoridade social.
Daí que eu pense que o PCP deve empenhar-se junto desses e não na conquista de cadeiras irrelevantes para a concretização da sociedade em que acreditam.
Concluindo, quer o PCP deixe passar ou não o orçamento, para ele PCP é igual ao litro. Para o Povo não sei o que será melhor. A democracia liberal governará sempre ou com a sua esquerda - PS - ou com a sua direita - PSD e com, ou sem, o CDS.
Peço-lhe desculpa por tanto ocupar o seu espaço para expor o que penso e dsabafar com quem pensando diferente aceita dialogar comigo.
Zé Onofre

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