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A chantagem como arma política e partidária

25.10.21 | Manuel_AR

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As máfias tipo Cosa Nostra funcionavam com sua hierarquia estrutura vertical e centralizada o que é incompatível com a flexibilidade negocial exigida hoje em dia pelos negócios de qualquer organização mesmo que mafiosa.

Os pedidos de favores que forem concedidos terão um custo que é a contrapartida que, quando necessário, e oportuno, os favorecidos terão que pagar através de um preço por vezes demasiado alto que não será apenas monetário. Para tal a “organização” exerce pressão sob a forma de chantagem.

Recordo-me de um filme muito antigo que vi em 1962 quando era jovem, Mafioso, realizado por Alberto Lattuada e protagonizado por Alberto Sordi no papel de Antonio Badalamenti. Nino, (Alberto Sordi), reencontra Don Vincenzo (Ugo Attanazio) o chefe da “organização”. Durante a narrativa fílmica vemos como, por pequenas etapas, uma armadilha fecha-se, pouco a pouco, sobre Nino, a partir do pedido do diretor da fábrica onde trabalhava para que ele leve um presente ao homem rico da sua aldeia. Em síntese: em vez de ir caçar perdizes e lebres, como pensava Nino é levado a “caçar” outro homem sob pena dele próprio e da sua família se transformarem em caça caso não o fizesse. Nino acabava de ser escolhido para realizar uma missão para a máfia. Mas nada lhe é dito abertamente, fica tudo subentendido em meias palavras.

O que é que o filme tem a ver com a aprovação do O.E.? Nada. Mas o facto é que podemos estabelecer uma analogia com o que se está a passar com os partidos da extrema-esquerda PCP e BE que têm feito, ao longo das últimas semanas, uma espécie de chantagem. Durante os dois últimos anos prestaram “favores” ao Governo PS aprovando orçamentos (no último apenas aprovado pelo PCP) , agora, como retorno desse favor, exigem-lhe um preço demasiado alto utilizando como arma (a chantagem) a possibilidade de não aprovação do Orçamento de Estado para 2022 que, nesta hora em que escrevo já foi anunciada. Pretendiam como objetivo final a obtenção de todas as exigências algumas delas impossíveis de cedência por colocarem em risco a sustentabilidade financeira e económica do país. Numa espécie de hooliganismo partidário não facilitaram nem possibilitaram qualquer espécie de consenso passando o Orçamento ser o da extrema-esquerda BE e PCP que passaria a ser uma mera amostra da razoabilidade do inicial.

 

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