Aqui vocês, podem encontrar de tudo um pouco: sociedade, ambiente, comunicação, crítica, crónicas, opinião, política e até gastronomia, com apoio de fontes fidedignas.
Estamos em plena campanha para as eleições autárquicas e, neste contexto, surge a necessidade de refletir sobre o impacto das políticas municipais dos últimos anos em Lisboa. Questiona-se o papel dos apoiantes de Carlos Moedas e dos presidentes de freguesia, desafiando-os a apresentar os reais benefícios trazidos à cidade e aos seus habitantes, para além de uma série de consequências negativas associadas à gestão do turismo, imigração e ordenamento urbano.
Consequências do Turismo e Políticas Urbanas
Durante o mandato atual de Carlos Moedas Lisboa assistiu à continuação e intensificação de um turismo descontrolado, cujos efeitos adversos se fazem sentir tanto na vida dos residentes como na identidade da cidade. O incentivo e manutenção deste modelo têm resultado na proliferação de alojamentos locais, na escassez de habitação acessível para a população e na autorização de mais hotéis, em detrimento da construção ou renovação de edifícios para fins habitacionais não especulativos. As políticas de “licenciamento zero”, por sua vez, facilitam a abertura de atividades sem a devida avaliação técnica prévia, comprometendo a segurança, higiene, mobilidade e bem-estar público, além de sobrecarregarem os serviços de fiscalização e inspeção administrativa.
Imigração e Transformação dos Bairros
Outro ponto crítico refere-se à dispersão desregulada da imigração por vários bairros, excetuando as zonas habitadas pelas elites. Muitos imigrantes, substituindo a mão-de-obra local em setores que oferecem baixo rendimento ou pouca atratividade, abriram pequenos estabelecimentos comerciais — lojas, mercearias, restaurantes — que ocuparam o espaço deixado pelo comércio tradicional, destruído pelas grandes superfícies. Estas lojas, frequentemente de licenciamento duvidoso, apresentam elevada rotatividade, com negócios que abrem e fecham rapidamente, muitas vezes mantendo a etnia entre proprietários e funcionários.
Há também um crescimento visível de cabeleireiros — masculinos, a preços irrisórios, e femininos, geridos sobretudo por brasileiros — em praticamente todas as freguesias exceto nas de maior prestígio, onde o discurso de integração raramente encontra correspondência na vivência quotidiana.
Impacto no Espaço Público e Qualidade de Vida
No dia-a-dia, a experiência de caminhar pela cidade evidencia as consequências destas políticas: ciclovias pintadas de verde tiveram a promessa de Moedas de serem removidas ou alteradas. Foram mantidas porque «Carlos Moedas (PSD), decidiu retirar a proposta para avançar com o projeto de alteração da ciclovia da Avenida Almirante Reis por considerar que “o tema é demasiado relevante para jogos partidários”». Esta ciclovia na referida avenida cria constrangimentos à circulação, inclusive de veículos de emergência. O centro de Lisboa, especialmente áreas como a Praça da Figueira, Martim Moniz e Rossio, transformou-se num “espaço turistificado”, dominado por turistas de classe média-baixa, negócios voltados para o retalho turístico e estacionamentos de tuk-tuks.
O espaço público na Baixa lisboeta é ainda pressionado por grupos de ciclistas turísticos que desrespeitam peões, e pela proliferação desordenada de bicicletas e trotinetas. A sustentabilidade urbana parece reduzida a ciclovias e discursos ambientais, sem um plano coerente que priorize os interesses da população local e a redução efetiva da dependência do automóvel.
Identidade Urbana e Desafios de Integração
O percurso pelo eixo central da cidade, da Avenida Almirante Reis até ao Bairro das Colónias, revela uma mudança significativa no perfil demográfico: imigrantes asiáticos ocupam espaços antes frequentados por africanos, substituindo a mão-de-obra local em setores menos atrativos. Esta transformação ocorre num contexto de ausência de políticas eficazes de integração, o que fomenta uma sensação de transitoriedade e alienação entre novos e antigos moradores.
Enquanto grupos políticos radicais exploram o discurso de que os imigrantes retiram empregos aos autóctones, a realidade é marcada pela recusa de muitos portugueses em aceitar determinados trabalhos, criando uma dependência de mão-de-obra estrangeira — infelizmente, sem o controlo necessário para garantir coesão social e segurança.
Conclusão: Entre Potencial Cosmopolita e Desarticulação Urbana
Lisboa encontra-se num momento de transição, oscilando entre o potencial de uma cidade cosmopolita e os desafios de uma gestão municipal desarticulada. A falta de políticas de integração, o abandono do comércio tradicional, a turistificação desenfreada e a ausência de uma estratégia que valorize a qualidade de vida e o sentido de comunidade minam a confiança dos lisboetas e diluem a identidade da cidade. Sem uma mudança de rumo, Lisboa corre o risco de se tornar um espaço marcado pela insegurança, marginalidade e alienação, onde os interesses económicos se sobrepõem ao bem-estar dos seus habitantes.
Uma análise de conteúdo às intervenções de André Ventura
01.10.25 | Manuel_AR
"Primeiro, eles fascinam os tolos.
Depois, amordaçam os inteligentes!"
Betrand Russel, filósofo do séc. XX
Temos de abrir caminho para resistir civicamente ao avanço da desumanidade autoritária seja ela extremista de direita ou de esquerda, e os mais jovens que sempre viveram em liberdade nem sempre sabem ao certo qual o seu verdadeiro significado. Não adiante denegrir o Chega porque já vimos que isso apenas o reforçou, mas fazer de conta que não existe e tão-pouco normalizá-lo também não funciona.
Na última década testemunhámos a ascensão de líderes, movimentos e políticas populistas em muitas democracias liberais pluralistas. Portugal não foi exceção. Este novo populismo é sustentado por uma inventada política de pós-verdade que usa as redes sociais como porta-voz de “notícias falsas” e “factos alternativos” com a intenção de incitar ao medo e ao ódio do “outro”, construções que estão relacionadas ou referidas a circunstâncias nas quais factos objetivos são menos influentes na formação da opinião pública do que apelos à emoção e à crença pessoal. Prevalece o apelo à emoção do povo em lugar do racional. Recorde-se o caso de Donald Trump que afirmou publicamente, num evento realizado em setembro nos EUA, onde disse: “Odeio os meus adversários e não quero o melhor para eles" frase que incita ao ódio sobre quem não o apoia. Não é uma “fake news” é um facto que revela até onde pode ir o incitamento à emoção e ao ódio. No entanto ainda há quem o admire e até concorde com a política por ele seguida.
Não me causará admiração se ele chegar à segunda volta. Os candidatos que se apresentam com exceção do almirante Gouveia e Melo são fracos e os portugueses estão fartos de comentadores televisivos como presidentes e Luis Marques Mendes é um deles, assim, como outros com perfil de democratas, mas sem força e inseguros tais como como António José Seguro não apresentam grande confiança. Alguém que nunca esteve ao serviço de forças partidárias e apresente características de independência pode ser uma vantagem.
Vamos ao caso que nos interessa neste momento e sair do ruído para analisar as narrativas de André Ventura ao longo dos últimos dois anos e tentar conhecer o que está por de baixo do tom combativo e do padrão que emerge das suas intervenções e textos que se baseiam, fundamentalmente, no endurecimento penal e imigratório, na revisão constitucional como “chave mestra”, e no discurso anticorrupção repetido e baralhado que, no meio da predominância e importância do processo socioeconómico, não tem sustentabilidade e falha em toda a linha.
Por outro lado, as frases ditas e mentiras mil vezes repetidas, propagadas nas redes sociais vieram a tornar-se realidades aceites por impreparados dos mais diversos matizes sociais que as aceitam irrefletidamente sem ponderarem nas respetivas consequências.
O populismo terminou com os princípios burgueses da decência, da retidão, da palavra ou da honra que eram também contestados pelos radicais da esquerda.
Temos de reaprender a ler, a interpretar e a viver neste novo mundo à luz da reflexão e da razão. Temos de abrir caminho para resistir civicamente ao avanço da desumanidade autoritária seja ela extremista de direita ou de esquerda, e os mais jovens que sempre viveram em liberdade nem sempre sabem ao certo qual o seu verdadeiro significado.
Não adiante denegrir o Chega porque já vimos que isso apenas o reforçou, mas fazer de conta que não existe e tão-pouco normalizá-lo também não funciona.
A resistências tem de ser a desmontagem de todas as suas contradições. As formações cívicas e políticas não se ajustam a “leituras” escritas e imagéticas assimiladas sem critério e sem reflexão que proliferam nas redes sociais onde as máquinas de propaganda e de desinformação são destinadas, sobretudo, para convencer os mais jovens politicamente inexperientes.
Para análise dos eixos temáticos recorrentes na retórica e narrativas de André Ventura, porque é deste que falamos, utilizei uma metodologia baseada em excertos de três tipos das suas intervenções públicas:
Discurso no Conselho Nacional do Chega (12 set 2025)
Discurso de abertura da V Convenção Nacional do Chega (27 jan 2023)
As intervenções de Ventura baseiam-se num tom combativo quer nos debates e discursos partidários quer em assembleias públicas. Torna-se evidente o modo como Ventura estrutura a sua argumentação e constrói a sua imagem política com discursos que recorrem frequentemente à repetição de temas-chave, polarização nos debates e utilização de exemplos concretos através de imagens ou dados, cuja veracidade é por vezes discutível, para dramatizar questões sociais.
A sua abordagem, emocionalmente mobilizadora, aposta na simplicidade das soluções apresentadas e na clara distinção entre “nós” e “eles”, fomentando uma identidade de grupo entre apoiantes e tenta promover a perceção de rutura face ao sistema vigente. Contudo faz questão de mostrar que pretende ganhar o que, afinal, mostra uma vontade de fazer parte do sistema. Que diz querer mudar.
O recurso a slogans e ideias força como por exemplo “tolerância zero”, “Portugal primeiro”, “fim da impunidade” que serve uma retórica que privilegia a clareza e o impacto mediático sem atender à complexidade dos problemas e das soluções.
A estratégia comunicacional de André Ventura é marcada pela presença ativa nas redes sociais e pela aposta em formatos de comunicação direta, como vídeos curtos, sessões ao vivo e fóruns abertos, onde a mentira e a produção de notícias falsas ou truque amplificadas pelo exagero das situações escolhidas. A estratégia dos vídeos e cassetes foi utilizada por Silvio Berlusconni, bilionário, empresário e político italiano que foi Primeiro-ministro da Itália durante vários anos que, antes da popularização das redes sociais, enviou uma cassete de vídeo para todos os canais de televisão de Itália e poucos meses depois estreou-se como primeiro-ministro após a astúcia da cassete que, sem intermediários falou ao povo através de monólogo emocional uma espécie do que políticos atuais populistas, ou não, fazem usando as redes sociais.
Esta estratégia tem como objetivo criar uma proximidade com o eleitorado, contornar filtros mediáticos tradicionais e estabelecer um canal de comunicação onde a mensagem seja transmitida sem intermediários, fora da comunicação social corrente, em redes sociais, nas quais se manipula o modo emotivo, que hoje é o mecanismo dominante do discurso nesses locais, consolidando, assim, uma base de seguidores altamente envolvida.
André Ventura explora as vulnerabilidades da opinião pública, recorrendo a uma lógica de simplificação binária de dois polos opostos, por vezes contraditórios, e à exploração de medos difusos. Estas dinâmicas, aliadas à eficácia da máquina de propaganda partidária, contribuem para a sedimentação das principais narrativas que sustentam a sua candidatura e reforçam o posicionamento do Chega enquanto força política de contestação, Ventura “foi capaz de instituir a perceção generalizada de um país corrupto, liderado por políticos infames, analisado por cientistas e jornalistas vendidos, colonizado por imigrantes oportunistas e criminosos, até porque casos como o das multas dos bancos, dos prémios do Novo Banco ou a história da Spinumviva lhe facilitam a vida.”, de acordo com um artigo de opinião de Manuel Carvalho no jornal Público.
Devo aqui acrescentar que tudo que que se possa fazer, dizer ou escrever sobre André Ventura seja em artigos de opinião, vídeos, mensagens, comentários, livros, televisão ou análises como esta que realizei, nos quais ele seja protagonista, facilitam-lhe a vida da sua propaganda. Mas, citando uma frase do livro a Arte da Guerra de Sun Tsu, “Se conhece o inimigo e se conhece a si mesmo, não precisa temer o resultado de cem batalhas. Se se conhece mas não conhece o inimigo, para cada vitória ganha sofrerá também uma derrota. Se não conhece nem o inimigo nem a si mesmo, perderá todas as batalhas.”
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Uma análise de conteúdo das intervenções de André Ventura (últimos 2 anos)
O que está por baixo do tom combativo de André Ventura e o padrão que emerge nos discursos e textos nos últimos dois anos?
Estratégias retóricas e estilo
Anticorrupção palavra de ordem como apoio discursivo
Há uma discrepância intencional entre a sua atitude quando fala para uma assistência a partir do seu “palco” e o programa do partido. Discurso para mobilizar, mas sem proposta de governabilidade ou pouco coerente no programa.
A palavra “corrupção” surge repetida no texto programático (45 vezes), mas é sinalizada como um apoio emocional/moral do discurso com o registo oral incendiário, mesmo quando a proposta escrita assume tom mais tecnocrático.
Polarização moral e nacional
Para justificar a prioridade aos nacionais agita uma hierarquia afetiva como a de “amamos primeiro os nossos”, estabelecendo medidas restritivas de imigração não apenas securitárias, mas também culturalmente de proteção.
Propõe soluções fortes para casos simples que exagera com penas máximas, metas absolutas como “tolerância zero”. O léxico que utiliza privilegia a emoção à qualidade jurídica da atuação, depois reformatado em propostas com linguagem de reforma “estrutural”.
Observa-se, portanto, uma evolução discursiva marcada pela adaptação estratégica do vocabulário e pela mudança de abordagem, sem abandonar a intensidade dos temas de modo a adaptar-se a uma linguagem aceite por algumas faixas de população e pelos grupos mais jovens como se verá mais adiante.
Este percurso revela uma transição de uma comunicação polarizador, identitária e de rutura para uma abordagem mais racionalizada em propostas institucionais e promessas de eficiência.
A linguagem torna-se, assim, não só um instrumento de mobilização, mas também de legitimação perante o eleitorado, refletindo a tentativa de ocupar novos espaços no debate político e conquistar legitimidade governativa, o que pode ser observado no seguinte quadro.
Domínios do discurso
Itens de uma determinada sequência de texto e palavras mais salientes
Função retórica
Técnicas e estratégias utilizadas para persuadir o público, moldar a sua mensagem e alcançar um objetivo comunicativo específico
Justiça/segurança
prisão perpétua;
castração química
Severidade punitiva
Constituição
revisão constitucional;
Tribunal Constitucional
Reconfigurar regras
Imigração
controlos fronteiriços; residência ilegal
Ordem/controlo
Corrupção
enriquecimento ilícito;
confisco de bens
Limpeza do sistema
Cultura/educação
ideologia de género; educação parental
Guerra cultural
Vejamos agora a estratégia discursiva de André Ventura para mobilizar os mais jovens, (e não apenas), que combina elementos populistas, digitais (utilização de redes e comunicação vídeo) e identitários que, afinal, não diferem muito da sua narrativa habitual dos quais se destacam alguns dos seguintes pontos-chave:
Linguagem simples, direta e emocional
Evita tecnicismos e usa frases curtas e fortes, que apelam mais ao sentimento do que à racionalidade.
O uso de polarizações claras (concentração de forças num determinado ponto por oposição a outro “nós contra eles”, “os jovens esquecidos vs. a elite política”) que cria um sentimento de pertença e urgência.
Narrativa de exclusão e oportunidade
Apresenta os jovens como uma geração sacrificada: precariedade laboral, dificuldades no acesso à habitação, falta de futuro em Portugal.
Posiciona-se como o político que “diz o que ninguém diz” e que pode devolver oportunidades e esperança.
Apelo à rebeldia e ao inconformismo
O discurso funciona como um convite à “rebeldia contra o sistema”.
A narrativa é construída como antissistema porque se diz contra as instituições oficiais, sejam elas políticas, económicas ou sociais, da forma vigente da sociedade, o que atrai jovens que se sentem distantes da política tradicional.
Uso estratégico das redes sociais
Forte presença em TikTok, Instagram e YouTube, com vídeos curtos, memes e transmissões em tempo real.
Conteúdo feito para ser facilmente partilhado, usando humor, provocação e linguagem próxima da gíria jovem.
Estilo “influencer político”, aproximando-se das práticas comunicacionais dos jovens.
Temas com apelo juvenil
Habitação: dificuldade em sair da casa dos pais.
Emprego: salários baixos, instabilidade e emigração forçada.
Justiça social seletiva: “os jovens portugueses são esquecidos em detrimento de minorias ou imigrantes”.
Segurança e identidade: discurso nacionalista que cria a sensação de proteger o futuro dos jovens “do seu próprio país”.
Note-se que muitos destes temas são comuns de partidos de extrema-esquerda até aos de direita “normalizada”.
Criação de comunidade e identidade
Usa slogans e símbolos fáceis de apropriar (“Chega” como sinónimo de basta e “Portugal Primeiro”).
Gera sentimento de pertença, quase tribal, em que o jovem passa a sentir que faz parte de um movimento maior. Este tribalismo político no seu nível mais básico, é a divisão do mundo político em grupos opostos impulsionados por uma forte lealdade e identidade de grupo. Estes aspetos negativos do tribalismo são frequentemente alimentados pela competição e pela perceção de uma ameaça comum, através do medo, ansiedade e preconceito, tornando as pessoas mais suscetíveis a notícias falsas, propaganda e conflito.
Estilo performativo de André Ventura
Aposta em debates televisivos, confrontos diretos e frases “virais”.
Essa teatralização política agrada a jovens que consomem política como espetáculo e entretenimento.
Em síntese: a estratégia para os jovens combina emoção, rebeldia, identidade nacional e linguagem digital, criando uma narrativa de rutura com o sistema e de esperança num futuro “roubado” aos jovens.
Eixos temáticos recorrentes
Família e demografia: A família é erguida como solução ao “inverno demográfico”, com incentivos fiscais (ex.: isenção de IRS para mulheres com 3 ou mais filhos), alargamento de licenças parentais e apoios na saúde materna. Nota-se a retirada, desde propostas antigas, de retirar aborto e cirurgias de transição de género da saúde pública, sinalizando uma adaptação tática. O programa evita quantificar impactos financeiros destas medidas.
Justiça e crime: Centralidade em “acabar com a brandura” da justiça: prisão perpétua com revisão, castração química para reincidentes sexuais, agravamento de penas para violência doméstica, e apertos processuais para acelerar megaprocessos de corrupção. Isto exige revisão constitucional é tratada pelo próprio partido como prioridade. Há também reforço de meios (PJ, magistrados), apreensão de bens antes da sentença e crime de enriquecimento ilícito.
Imigração: Passagem de quotas “culturais” (antigas) para endurecimento amplo: controlos fronteiriços, crime de residência ilegal, recondução a países de origem se não houver prova de autossustento em 6–12 meses, exigência de português no trabalho, restrição de apoios sociais a quem tenha 5 anos de contribuições, revogação do acordo de mobilidade da CPLP e recomposição da AIMA com funções policiais à la SEF.
Revisão constitucional: Objetivo estruturante que viabiliza o pacote penal. Pretende “limpar carga ideológica” do preâmbulo, permitir prisão perpétua e castração química, reduzir e alterar composição do Tribunal Constitucional, voto obrigatório, referendos vinculativos sobre qualquer matéria, reduzir deputados e limitar ministérios. A conjuntura parlamentar recente tornou este objetivo menos hipotético.
Economia e fiscalidade: Centra-se na retórica liberal de direita: baixar IRS/IRC/IMI, eliminar derrama e pagamentos por conta; isenção de IRS para jovens até 100 mil de rendimento acumulado, depois taxa plana de 15%; isenções na primeira habitação; incentivos a contratação jovem. Em paralelo, medidas de tributação extraordinária sobre banca/petrolíferas e uma lista extensa de promessas sociais sem envelope orçamental explícito, estimadas em mais de 5% do PIB, expondo tensão entre ambição e sustentabilidade.
Educação: Defesa de “autonomia da família versus escola”; combate à chamada “ideologia de género” com direito de veto parental; oposição a casas de banho neutras como única opção; Cidadania e Desenvolvimento apenas opcional; reintrodução de exames em todos os ciclos e “tolerância zero” à indisciplina. Reposição integral do tempo de serviço dos professores e revisão do ECD-Estatuto da Carreira Docentes.
Se analisarmos à lupa verificamos que muitas destas medidas servem apenas para captar potenciais eleitores sem garantia de que numa situação de governo muitas dessas medidas sejam sustentáveis ou até exequíveis a prazo.
Fontes:
Lessard-Hébert, Michelle, Investigação Qualitativa; Fundamentos e Práticas, Instituto Piaget.
Este blogue não é destinado a assuntos de futebol e, por isso, nunca aqui publiquei algo sobre este tema, para milhões muito importante. Mas, tendo o blogue o título A Propósito de Tudo faz todo o sentido. Li este artigo e achei interessante para ser publicado e divulgado para chegar aos amantes deste desporto. O desporto, sobretudo o futebol, também é político, quer internamente nos clubes, quer no espaço exterior. Não é por acaso que políticos da nossa praça também discutem futebol e, até alguns, à custa da comunicação televisiva, iniciaram-se no comentário desportivo e enveredaram depois pela política partidária.
Aqui deixo então o artigo, talvez um começo, para que, neste espaço, possa continuar a publicar outros artigos tendo como tema o mundo do futebol.
Porque é que o Arsenal ainda vai poder contar com Gyökeres?
Após duas épocas de leão ao peito, durante as quais deixou um legado inesquecível, Viktor Gyökeres deixou o Sporting para reforçar o Arsenal por 65 milhões de euros.
Viktor Gyökeres apresentado pelo Arsenal
Todavia, após seis jogos pelos ‘Gunners’, ainda não vimos o Gyökeres que conhecemos em Alvalade. Nos embates contra Manchester United, Liverpool e Manchester City, foi praticamente nulo. Para além disso, o número 14 do Arsenal ainda não somou qualquer remate contra estes adversários, algo que fazia com grande facilidade em todos os jogos pelo Sporting, numa altura em que o sueco começa a ser criticado por não se destacar nestes confrontos mais exigentes.
Gyökeres chegou ao Sporting em 2023, proveniente do Coventry City por 23 milhões de euros. Um avançado praticamente desconhecido no panorama internacional, rejeitado por Brighton e Swansea, destacou-se na temporada 2022/23 no Championship, chamando a atenção do Sporting. Na sua primeira época em Alvalade, somou 35 golos e 13 assistências, sendo considerado o MVP do campeonato.
Na temporada seguinte, manteve o nível impressionante: marcou 39 golos no campeonato, mais 20 do que Pavlidis, que fez 19, e totalizou 52 golos e 12 assistências em todas as competições, destacando-se também na Champions League e conquistando o prémio de MVP do campeonato pela segunda época consecutiva. Ter Gyökeres em Portugal parecia quase batota: para além da capacidade goleadora, o sueco cai nas alas, arrasta defesas adversárias para abrir espaço para os colegas, explora muito bem a profundidade e utiliza eficazmente o seu físico.
Viktor Gyökeres ao serviço do Sporting CP
Impossível ficar indiferente a estas performances. Vários tubarões europeus estiveram interessados no avançado nórdico, e faria sentido juntar-se ao Manchester United, onde jogaria num sistema que já conhece e com o treinador que o potenciou: Rúben Amorim. Mas o ponta-de-lança acabou por juntar-se ao clube que sempre quis, o Arsenal. Contudo, já está a ser alvo de algumas críticas, pois não se destacou nos chamados jogos grandes, como acontecia em Portugal frente ao Porto e ao Benfica. Mas será que o problema está no jogador?
Há vários fatores a ter em conta quanto à sua adaptação ao Arsenal. O futebol que a equipa pratica não é de todo vertical, nem está construída para procurar constantemente o ponta-de-lança. Arteta, devido à forte influência de Guardiola, quer que a equipa mantenha posse de bola, com passes curtos e progressão paciente, especialmente contra equipas que defendem em bloco baixo. No Sporting, devido à pressão intensa que a equipa exercia sobre os adversários, surgiam muitas situações de transição em que Gyökeres brilhava, aproveitando bolas longas e explorando a sua velocidade para atacar as costas da defesa adversária.
No Arsenal, o sueco é desafiado a ser mais participativo na construção e segurando a bola para combinar com jogadores como Ødegaard e Saka. Nestes últimos jogos, parece que vemos um Viktor menos dinâmico, ao contrário do que víamos no Sporting. Porém, Arteta elogia o seu potencial:
“Tudo o que ele faz é por instinto. É por isso que ele marcou tantos golos nas últimas temporadas. São os golos, é a ameaça que ele provoca.”
Viktor Gyökeres e Mikel Arteta
Além disso, Gyökeres ainda se está a adaptar à intensidade da Premier League. Em Inglaterra, tudo acontece num ritmo mais acelerado, não há tempo para pensar, e os duelos físicos são mais agressivos. Ainda assim, o sueco tem mostrado sinais de progresso nos treinos e na ligação com os colegas de ataque, pelo que é apenas uma questão de tempo até começar a refletir isso nos jogos.
No entanto, o avançado já marcou contra o Nottingham e Leeds, mostrando do que é capaz, especialmente nas suas arrancadas verticais, em que combina velocidade, leitura do espaço e a capacidade de finalização, como se viu no primeiro golo contra o Leeds. Estes adversários de meia-tabela deixam mais espaço, permitindo que o sueco explore essas situações e seja decisivo quando o jogo está empatado ou quando a equipa está a perder.
O investimento de 65 milhões num avançado de 27 anos, mostra que vai poder contar com o número 14 e tem a confiança de que vai ser crucial para conquistar títulos, chegar longe na Champions e vencer o título que foge há 21 anos: a Premier League.
Viktor Gyökeres a fazer o seu festejo icónico
Viktor Gyökeres foi considerado o melhor avançado do ano 2025 e ficou em 15.º naBola de Ouro, estamos a falar de um jogador de classe mundial, que até há pouco tempo estava a jogar em Portugal.
A integração de Gyökeres no Arsenal exige um esforço conjunto: o sueco precisa de se adaptar ao estilo exigente de Mikel Arteta, enquanto o treinador tem a responsabilidade de ajustar a tática para tirar partido das qualidades únicas do avançado. Evidentemente não terá o mesmo impacto que teve no Sporting, campeonatos muito distintos, equipas mais fortes e defesas mais exigentes, mas certamente será uma mais-valia para o clube de Londres.