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PSD – a disputa de Rangel a Rui Rio

por Manuel_AR, em 29.11.21

Hoje partilho um texto escrito por Carlos Esperança que me parece adequado ao momento do rescaldo eleitoral interno do PSD. 

PSD – a disputa de Rangel a Rui Rio

(Carlos Esperança, 27/11/2021 in Estátua de Sal)

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A vitória de Rui Rio sobre Rangel é uma colossal derrota do aparelho do PSD perante os militantes do partido. Bastou uma sondagem, que mais parecia um palpite, da TVI, já com chancela da CNN, para intimidar os sindicatos de voto de Rangel e deixar livres os eleitores.

A moderação de Rio foi a única vantagem que exibiu sobre o seu acarinhado adversário. Com a derrota, Rangel volta para Bruxelas a acabar o mandato, a difamar o Governo e a defender as posições mais à direita, mas arrastou consigo a plêiade de figuras públicas e figurões que não toleram a Rui Rio a sua autonomia. Até a lei da eutanásia voltará a ser aprovada, depois de o PR ter pretextado outra reavaliação pela próxima legislatura.

Amanhã nenhum jornal dirá que o PR foi o grande perdedor e que será obrigado a tecer a Rui Rio as loas de que precisa para proteger o partido ao serviço do qual interfere nos outros órgãos de soberania.

Para o PS foi um resultado prejudicial, sobretudo agora, quando na próxima legislatura seria uma utopia contar com os partidos que lhe chumbaram o OE-2022 na presunção de que fariam agora o que recusaram antes, e a vitória sobre Rui Rio, a existir, será sempre mais moderada do que sobre Rangel. Relevante é evitar que se quebrem as hipóteses de reproduzir o apoio maioritário de esquerda a futuros governos de outras legislaturas.

Hoje vai ser uma noite de insónia para Miguel Relvas, Marco António, Passos Coelho, Luís Filipe Meneses, Carlos Moedas e Marcelo Rebelo de Sousa. O obscuro e poderoso líder da distrital de Lisboa é outro derrotado, o tal que considerava Rui Rio de esquerda, ao contrário de Carlos Moedas, o que esqueceu quem o propôs para apanhar o comboio dos notáveis ao lado do eterno perdedor, Paulo Rangel. A tralha cavaquista foi esmagada.

Vai ser bonito ver os líderes distritais que apostavam em Rangel e no apoio presidencial a justificarem-se aos eleitores que os desautorizaram e a quem tinham recomendado o candidato perdedor.

Até o antigo sátrapa da Madeira, que apoiou Rui Rio contra Rangel, se vingou de novo do PR, com quem recusou encontrar-se na Madeira. Apoiou o candidato de quem o PR não pode dispor.

Tem razão para comemorar com mais umas ponchas.

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publicado às 18:01

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A propósito das eleições diretas no PSD, independentemente de quem as ganhe, é fácil antecipar que, durante as próximas semanas, ouviremos falar de entrevistas e comunicações até à saturação sobre a derrota ou a vitória de um dos ainda candidatos.

Permito-me fazer um prognóstico sobre quem vai liderar o PSD, se Rio ou Rangel. Com a esperança de me enganar acho que Rangel será o ganhador. E, se o for, é válido o pensamento de quem considera que foram comentadores na maior parte da comunicação social que para isso contribuíram.

Para os militantes do PSD, se não a maioria, o partido está há cerca de seis   anos fora da governação do país, e a saudade é muita, e muitos dos seus boys anseiam por cargos. Muitos embarcam no mito tipo sebastianista, isto é, delírio sentimental e ideológico, para eles verdadeiro, embora racionalmente falso. O “passismo”, é o motor dos militantes e adeptos do PSD que os força a acreditar na personificação de Passos Coelho e do seu ideário em Paulo Rangel.

 Como também salientei no  blogue com o título “As eleições diretas no PSD que podem transformar-se em indiretas” Sousa Tavares escreveu no semanário Expresso: “Rangel recusa-se a dizer o que fará se ganhar sem maioria absoluta ou que lhe permita governar em coligação à direita ou o que fará se o mesmo acontecer ao PS; Rio diz que o interesse do país e da governabilidade está à frente do interesse do partido e, portanto, facilitaria um Governo do PS minoritário, esperando que o PS fizesse o mesmo a um Governo PSD minoritário.”

A grande diferença é que Passos Coelho quando primeiro-ministro era pouco palavroso, nada meloso, pouco demagógico, transmitia segurança mesmo a quem não aderia às suas ideias neoliberais e, sobretudo, não era propagandista de ideias falsas, fazia o que estava nos seus projetos mesmo sabendo que desagradava, ao contrário de Rangel cujo discurso é perigosamente demagógico e falacioso e vive num ideal só dele sobre o que acha deve ser será um opositor e um primeiro-ministro.

Desde então a verdadeira identidade política do PSD foi-se perdendo com o Governo de Passos em coligação com Paulo Portas sob supervisão da troika. Estava a reajustar-se com Rui Rio quando apareceram os antigos apoiantes das políticas de Passos como Luís Montenegro e, recentemente, Paulo Rangel que irá contribui para a lavagem daqueles anos que tem estado em curso, para gáudio dos nostálgicos passistas.

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publicado às 17:59

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A propósito das próximas eleições diretas no PSD a coisa está agreste. Há dois candidatos, ambos afirmam colocar à frete os interesses do país, mas, como em tudo, há sempre um mais interessado do que outros. A escolha depende dos militantes do partido que soberanamente escolher um dos candidatos. Como não sou militante a minha visão é de distanciamento e independência relativamente a cada um dos candidatos, todavia, tendo em consideração os efeitos que cada um poderá exercer no país, tal como a estabilidade política e social necessária, não nego ter inclinação por um deles.

Estamos a atravessar uma crise política forçada pelos partidos de esquerda mais radical que votaram contra o Orçamento de Estado para 2022 ao lado da direita. O intuito talvez fosse tentarem, cada um por si, recuperar eleitores perdidos que se afastaram do radicalismo desde as eleições de 2019 e, recentemente, nas autárquicas atribuindo as culpas ao Governo e a António Costa.

Os dois candidatos Paulo Rangel e Rui Rio têm visões diferentes sobre o que pretendem para o partido e para o país. Cada um dos protagonistas tem mostrado o seu estilo de estar na política e as visões para o país. Um deles tem projetos mais ou menos centrados no país, o outro em projetos mais pessoais e partidários. Paulo Rangel parece-me pertencer a este último.  

Paulo Rangel está rodeado de gente que, tal como ele, fizeram parte da entourage de Passos Coelho quando foi primeiro-ministro. Ligados à fação mais à direita do PSD que, desde Cavaco Silva, se afastaram das raízes sociais-democratas. Personagem melíflua e palavrosa e com narrativas ao mesmo tempo sedutoras e enganadoras, mas sem consistência centra-se numa oposição desprovida de projetos objetivos para o país e para as pessoas. Os apoios a Rangel vêm dos neoliberais do partido e de lóbis muito fortes de grupos e comunidades.

Aproveitando a vitória pífia de Carlos Moedas em Lisboa e do slogan da campanha “tempos novos” Rangel adotou a estratégia de colagem admitindo "sintonia de pontos de vista" com Moedas sobre "tempos novos" da política. Num almoço com Paulo Rangel Moedas salientou que o almoço serviu para dar um “grande abraço” para “dar força” ao seu “amigo” Paulo Rangel na reta final da campanha interna para a liderança para o PSD. Mas, por outro lado, disse rejeitar que o encontro com Rangel pudesse ser interpretado como um apoio, afirmando que essa interpretação “é feita pelos jornalistas, analistas e comentadores”. Estranha afirmação plena de contradição. Os “tempos novos” são o regresso às políticas dos velhos tempos do para além da troica. Como Moedas ganhou tangencialmente a Câmara de Lisboa Rangel terá pensado que lhe poderia acontecer o mesmo com as legislativas caso ganhasse e viesse a ir a votos como futuro primeiro-ministro.

A propósito, vimos, na apresentação do livro da cristalizada jornalista Maria João Avillez, o atual presidente da Câmara de Lisboa e ex-ministro de Passos Coelho, Carlos Moedas, na fundação Calouste Gulbenkian salientar para os jornalistas, depois de ter assistido à apresentação do livro afirmar que não vai “tomar posição” na disputa interna do PSD, mas, ao mesmo tempo, vai dizendo que quer que haja uma “verdadeira oposição ao PS”, tal como Rangel vem salientado ao longo da sua campanha.

Também, a propósito, José Saraiva escreveu, numa entrevista feita na casa de Maria João Avillez, que “Sentados no sofá, é impossível não reparar nas dezenas de fotografias emolduradas que quase tapam os livros numa estante próxima. Uma delas, a preto e branco, destaca-se pela dimensão generosa e posição proeminente. «É o meu pai com o Salazar. E está aqui muito bem» concluiu a entrevistada.

Voltando ao candidato à liderança do PSD, Paulo Rangel, do meu ponto de vista é um ardiloso da política cuja retórica leva a confundir quem, menos atento, o escuta não se apercebendo dos argumentos demagógicos e sem provas evidentes das suas afirmações decorrentes das notícias do dia e consoante as ocasiões.

Alguns comentadores, achando-se com privilégio de oráculos, vaticinam que António Costa prefere que Paulo Rangel ganhe as eleições diretas no PSD porque isso se poderá traduzir nas eleições legislativas em votos para o PS!!?  

O candidato Rui Rio com a sua espontaneidade fala mais para o país e é por todos entendido. Tem a noção de que a probabilidade de uma maioria absoluta, mesmo com outros partidos à sua direita é quase impossível. E daí as suas propostas.

Pelo contrário de Paulo Rangel luta pelo poder e só recentemente começou a equacionar alguma abertura para viabilizar um futuro governo. Rangel quando questionado sobre cenários de governabilidade após as legislativas de 30 de janeiro rejeitou um "PSD em segundo lugar" ou ser "vice-primeiro-ministro", repetindo que vai trabalhar para liderar um PSD com "maioria estável no parlamento" sozinho ou com coligações com partidos da direita "moderados". O seu devaneio não tem limites e a sua leitura da realidade está no mundo da imaginação porque está carecida de bom senso. Afinal qual é o seu projeto para no caso de, mesmo que em coligação com outros partidos, não conseguir a tal maioria estável?

Quanto a Rui Rio tenho ainda na memória a polémica que se instalou com Pinto da Costa, senhor do Futebol Clube do Porto quando ele era então presidente da Câmara Municipal do Porto e se manteve firme no seu propósito de “reduzir a área comercial disponível para o FC Porto negociar em cerca de 75 por cento, e isto sem apresentar qualquer proposta alternativa para os dragões financiarem as obras do seu novo estádio. Isto apesar da troca da área comercial para habitacional ter um custo nove milhões de euros” circunstância que Pinto da Costa nunca lhe perdoou.

Acusado pelos radicais da ala direita do PSD de ser a muleta do PS ele responde em função do que é melhor para o país. Rui Rio não defende   um bloco central (PSD+PS) coisa hoje em dia pouco provável o que Rui Rio assume é que está disponível para viabilizar um Governo do PS.

Paulo Rangel faz a predição da instabilidade garantindo que só haverá estabilidade com maioria absoluta do PSD. A pergunta é: e se o PSD ganhar sem maioria absoluta, mesmo em coligação com partidos à sua direita, não a conseguir? E se ao recusar, como claramente afirmou, qualquer alinhamento com o partido Chega provocará nova crise política?

Os que pretendem desacreditar Rui Rio não dão crédito aos argumentos de “estabilidade”, “responsabilidade” e “sentido de Estado” que vão de encontro a muitos portugueses ao contrário do posicionamento ideologicamente marcado de Paulo Rangel que é muito mais neoliberal liberal e nunca afirmou que o PSD é um partido do centro – onde se ganham eleições – e muito menos de esquerda. O facto é que os partidos sociais-democratas na U.E. estão no grupo político mais à esquerda e ao centro (S&D) onde se inclui o PS, tal como o SPD da Alemanha, agora no governo deste país. O PSD inclui-se no grupo da direita e centro-direita (PPE). Portanto mesmo que Rui Rio anuncie que o PSP é um partido de esquerda, perde o seu tempo o esforço estará numa aproximação ao centro-esquerda que se encontra entre o centro e a esquerda no espectro ideológico.

Sejas como for não faço vaticínios, mas talvez fosse mais útil ao país uma vitória de Rui Rio nas eleições internas do PSD.

Ao acabar de escrever este texto numa sondagem da Pitagórica divulgada pela TVI, o PSD teria melhor resultado nas legislativas de janeiro se fosse o atual presidente do partido social-democrata, Rui Rio, o líder.

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publicado às 18:58

Mais do mesmo e o bluff da maioria absoluta

por Manuel_AR, em 24.11.21

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Neste blog já abordei o tema do temor de maiorias absolutas manifestado pelo PCP e pelo BE. A propósito entrou na calha a vez a Jorge Cordeiro, membro da comissão política do PCP, defender, quinta-feira 11 de novembro, que uma maioria absoluta aproximaria o PS de uma política de direita e premiaria o partido que "devia ser castigado" ao mesmo tempo que acusa António Costa de apropriação de propostas apresentadas pelo PCP.

Acusa e tenta descredibilizar António Costa ao afirmar que ele fez bluff nas negociações porque queria eleições legislativas antecipadas e acusa ainda o PS de se apropriar “indevidamente” de propostas do PCP para as incluir no programa eleitoral com que se apresentará ao eleitorado nas eleições de 30 de janeiro. Permitam-me duvidar de Jorge Cordeiro. Será que o bluff vem só de um lado? Durante todo o debate sobre o OE para 2022 o bluff partiu do PCP.

Como pode ler aqui as maiorias absolutas são, para o BE e para o PCP, uma obsessão fóbica. Estes partidos e os seus dirigentes têm um medo patológico de carácter obsessivo de que se possa vir a concretizar uma maioria absoluta do PS o que se torna evidente quando Jorge Cordeiro concretiza que “o PS tinha um objetivo: alcançar a maioria absoluta, porque imagina que com essa maioria absoluta pode ficar mais livre para fazer aquilo que quiser”.  

A pergunta que também que se pode colocar é: e se a direita conseguir uma maioria absoluta já não há problema? A atitude anti PS é uma visão das esquerdas radicais que parece indiciar que, para elas, é pior uma maioria absoluta do PS do que uma maioria absoluta da direita PSD sem ou em coligação com outros partidos como já se verificou no passado quando o BE e o PCP votaram ao lado da direita abrindo alas ao governo de Passos Coelho.

O empenho em recuperar votos perdidos é tal que o bom senso se perde na verborreia partidária do PCP e do BE. Uma coisa é fazer campanha para fazer passar uma mensagem com propostas concretas ao eleitorado para captar votos, outra é fazer campanha com ataques sistemáticos, sem fundamento válido. É evidente o objetivo. O partido de onde poderão captar alguns votos, por algum descontentamento, é o PS.  A atitude anti PS do PCP não é nova. No passado o seu alvo de ataque era também o PS. Aliás, Jorge Cordeiro não se acanha em afirmar isso mesmo: “as eleições são uma oportunidade para o reforço da CDU com a garantia de que com mais deputados poderemos ter melhores condições para assegurar uma trajetória política no país que valorize salários, direitos e o SNS”. Nada de novo, as ferramentas mobilizadoras do PCP para melhorar e fazer crescer o país são os sucessivos aumentos de salários, aumentar direitos e ao mesmo tempo reduzir deveres e menos horas de trabalho. A demagogia no seu melhor. Tudo isto é socialmente justo desde que isso não possibilite debilitar empresas, aumentar o desemprego e quebrar o país. Quanto ao SNS, o BE e o PCP nada concretizam, a direita também faz oposição utilizando os mesmos argumentos, portanto, também aqui nada de novo o que nos apresentam aqueles partidos.

Quando há eleições, como os portugueses já se habituaram, o objetivo assenta na tónica do ataque ao PS. Para aqueles partidos o alvo não é a direita. A direita, para o PCP e o BE, transforma-se então numa aliada.

Tal e qual como diz Fernando Rosas num artigo de opinião com o título Tempo dos Oráculos onde critica comentadores que, segundo ele, “sentenciam que a esquerda consumir-se-á no fogo dos infernos e o regresso ao bloco central ou à direita desenha-se certo nos despojos da razão.” Nem a propósito,  porque para se ter o voto dos eleitores o que importa são as intervenções que o intimidem e manipulem. O voto pelos projetos para o país, muitas vezes inexequíveis, ficam para segundo plano.  

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publicado às 19:35

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A propósito da crise gerada pelo BE e pelo PCP que estes partidos pretendem imputar ao PS, o desconcerto de Catarina Martins do Bloco de Esquerda, coadjuvada por opiniões e comentários de Francisco Louçã Fernando Rosas e Daniel Oliveira e outros comentadores, cada um ao seu estilo, saem do quadro da razoabilidade política.

Catarina Martins dia sim, dia sim, afirma que o Primeiro-ministro “quebrou pontes com a esquerda na obsessão da maioria absoluta” que a culpa de tudo o que se passou durante a discussão do O.E. 22 não aprovado juntamente com a direita é da responsabilidade do PS e, claro, de António Costa.

Catarina diariamente traz inovações e retóricas para demonstrar que a crise política é “artificial, desnecessária e é um truque de António Costa”. Parece uma obsessão compulsiva da Catarina estar a ser perseguida por maiorias absolutas.

É uma obsessão de Catarina e também de Jerónimo atacarem o PS que é, segundo eles, onde está o grande perigo.  Para eles o perigo não vem da direita, vem do PS. Esta obsessão está rapidamente a transformar-se numa fobia da maioria absoluta do PS. Estão a ficar partidariamente megalofóbicos, ou seja, estão a ter medo de algo maior do que para eles é considerado o normal. Isto é, sentem-se desconfortáveis e agitados, por um partido ou um personagem que possa vir a ser maior e mais poderoso (PS?), (António Costa?).

A fobia é um medo irracional e desproporcional em relação a algo. O medo é uma emoção causada por um tipo de ameaça ou dano real ou ilusório. A reação ao medo é um mecanismo de defesa adaptativo e de grande utilidade, pois serve como um aviso de perigo. É entre o medo e a fobia que os partidos, quer o PCP, quer o BE, se situam.

E para sublimar os seus medos e combaterem a sua fobia (a da maioria absoluta do PS) repetem os mesmos argumentos fazendo de alvo o PS. A sublimação é o mecanismo de defesa que transforma uma frustração e energia em impulsos que possam ser bem vistos pela sociedade e, neste caso, também úteis para os partidos.  Isto é, a sublimação ameniza, por exemplo, dor, angústia, frustração, entre outros.

Jerónimo de Sousa do PCP, embora mais moderado, segue os passos de Catarina. A sua obsessão  é também o chamado bloco central com que “A direita sonha novamente”, dizem. Sobre isto Jerónimo de Sousa lá vai lançando para o ar que (eles) "queriam e querem, no fundo, que o PS consiga uma maioria absoluta e, se depois perder, roda outra vez para os partidos do chamado 'bloco central'. Começa-se outra vez a ouvir falar no bloco central. Corrigidas as zangas lá na direita, do PSD e do CDS, lá sonham outra vez com o bloco central", sustentou em 6 de novembro Jerónimo de Sousa, num discurso no final de um jantar comemorativo do centenário do PCP.

Para além desta obsessão Jerónimo de Sousa acumula à semelhança de Catarina a fobia da maioria absoluta do PS e, para evitar tal “catástrofe” (este nome que aqui insiro é ironia), Jerónimo de Sousa também pede o voto no PCP que é a forma de evitar a maioria absoluta do PS e o regresso do "Bloco Central". Estas obsessões da maioria absoluta têm como objetivo enfraquecer o PS e recuperar votos perdidos.

Isto do Bloco Central é um mito que serve como prenúncio de um mal que é utilizado pelo BE e pelo PCP. Duvido que o PS vá alinhar numa fórmula como de entendimento político entre o Partido Socialista e o Partido Social-Democrata.  Entre 1983 e 1985, com Mário Soares como primeiro-ministro partidos na altura de centro-esquerda e de centro-direita respetivamente formaram uma coligação de Governo. Os dois partidos à esquerda do PS, críticos da U.E., serão sempre contra coligações como a que foi feita na Alemanha, a denominada Grande Coligação, que durou cerca de dezasseis anos e que proporcionou estabilidade no país.

Em Portugal um acordo ao centro seria possível sem ser como Bloco Central que possuiu uma carga negativa. Seria antes uma espécie de “trotinete”, uma espécie de compromisso assente em dois partidos cuja extremidade guiadora seria o governo e que permitiria dirigir as duas rodas (partidos) e se propelia com o impulso dos dois.

O que Jerónimo de Sousa e Catarina Martins, cada um a seu modo, estão a tentar com as suas declarações não é mais do que uma gestão/reparação de danos que os respetivos partidos causaram a si próprios culpabilizando o Governo e o PS. Em sentido figurado, claro, tudo está a passar-se como se, após um "crime", o "criminoso" culpasse a vítima por ter morrido.

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publicado às 19:30

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Quem sou eu para, bem ou mal, comentar o que doutos comentadores, professores catedráticos, experimentados políticos, advogados chamados para comentadores, conceituados jornalistas e muitos outros, muitos deles sentados nos bancos do serviço público que nada têm a perder.  A estes podemos juntar ainda os que se movem no mundo do privado que escrevem, opinam e publicam nos vários órgãos de comunicação social da imprensa à televisão.

Quando emito uma opinião, por muito fundamentada e acertada que seja, consegue ser, para frequentadores das redes sociais, menos credível do que as “fake news” que eles partilham e multiplicam num ápice.

Entendo que a análise política é diferente do comentário e da opinião política. Assim, uma afirmação sobre um facto pode ser comprovada como verdadeira ou falsa. Um comentário é algo que se diz ou escreve e que expressa uma opinião pessoal. Expressa sentimentos subjetivos sobre um facto ou factos, mas que não podem ser provados. As opiniões podem ser baseadas em factos e, muitas vezes pretendem aliciar outros deliberadamente para as posições de quem as emite. A análise política grosso modo aborda ou aprofunda a origem dos sistemas políticos e o modo como se desenvolvem e funcionam. Pesquisa e analisa governos, ideias políticas, políticas, e as suas tendências entre outros temas.

Quando o comentário e a opinião pretendem ser preditivos e substituir-se à análise política transformam-se duma espécie de oráculos o que é frequente verificar-se nos comentários e nos frente a frente televisivos.

Considerar que face a acontecimentos presentes comparativamente com o passado colocar várias hipóteses que poderão ser confirmadas, ou infirmadas, é uma coisa, outra é, dizer-se que vai acontecer isto ou aquilo com base em circunstâncias tão fluidas como são as da política. Vejamos o seguinte exemplo: quando se afirma que a “geringonça” chegou ao fim, ou que a destruição da esquerda está à vista, ou que a direita não ganhará as próximas eleições através de informações vagas e dados insuficientes é aproxima-se de oráculos.

O prof. Fernando Rosas, pessoa por quem tenho imensa consideração enquanto intelectual de esquerda, escreveu num artigo de opinião no jornal Público a propósito do “tempo dos oráculos da desgraça” que vê numa “campanha destinada a tentar fazer as forças de esquerda pagar a ousadia de, desta vez no seu conjunto, votarem contra o Orçamento de Estado (OE). À exceção dos seus próprios argumentos e predições tudo quanto se alvitrar sobre isto do que possa acontecer à esquerda são oráculos. Considera que “há uma vaga oracular que assenta num punhado de fábulas mistificadoras” que tenta justificar.

Sobre os oráculos em geral concordo com Fernando Rosas, porque há muitos comentários e opiniões que por vezes são mais oráculos do que pontos de vista. A tentativa de desconstrução das opiniões que ele toma como fábulas mistificadoras vão no sentido de purificar os falhanços do BE devido a radicalismo e sectarismo. Note-se que o prof. Fernando Rosas foi um dos fundadores do Bloco de Esquerda.

Fernando Rosas apresenta quatro pontos, a que chama fábulas mistificadoras, que, segundo ele fundamentam a sua tese.  Razões que, na minha opinião, fogem às verdadeiras questões. Foi criada uma crise sim porque se ousou “votar contra um OE por se considerar que ele não serve os interesses do país” e sim foi uma “irresponsabilidade” apesar de haver “outras soluções constitucionalmente possíveis.” Seria que qualquer uma dessas outras soluções, dado os pressupostos do PCP, e, sobretudo, os do BE evitariam uma crise num futuro próximo?  Creio que não porque estas forças quiseram impor o seu próprio orçamento ao Governo descaracterizando o inicial.

A segunda que Fernando Rosas aponta como mistificação é uma falácia baseada numa hipotética obsessão de António Costa por uma maioria absoluta e que, por isso, desejava uma crise. Este ponto é uma possibilidade sem fundamento. O desejar-se algo não significa que esse algo aconteça, aliás há sondagens que neste momento desmentem tal argumento.  A crise foi desencadeada pelo PCP e pelo BE porque foi evidente que de facto que “o Governo “cedeu tudo o que podia ceder” para salvar o OE. Sim, tendo em vista as boas contas públicas com redução possível do défice e redução da dívida. O BE não entende isso dos mercados e das dívidas dos países, ou melhor, entende, mas como é pela revolução permanente deveria cortar-se com o Mundo. Os restantes argumentos do segundo ponto são pontos de vista subjetivos e muito discutíveis.

O terceiro ponto ou mistificação passa, segundo diz Fernando Rosas, por ser uma dramatização sobre o que perdem os funcionários públicos ou os pensionistas pela não passagem do OE ao escrever que o “Governo em funções pode e deve, mesmo sem aprovação do OE, proceder aos aumentos e atualizações anunciados para cada um destes casos”. Então, assim sendo, os OE em alguns casos são uma espécie de jogo que se faz entre partidos e que, aprovados ou não, tudo pode continuar como se nada tivesse acontecido. Parece-me uma visão um pouco enviesada.

A quarta mistificação apresentada por Fernando Rosas é quando escreve que é um oráculo feito por alguns que “faz furor no comentário político dos oráculos, é de que a esquerda que hoje não se entende não será solução para uma maioria futura”. Acrescenta ainda que este é um “argumento surpreendente, pois é a direita que parece estar triplamente descredibilizada”, e “porque é ela que se esfarela em cruentas lutas intestinas para saber quem apresenta ao ato eleitoral e que “para governar, as direitas todas juntas precisam de maioria absoluta e parecem estar longe dessa possibilidade”.

Será assim? Verdade é que a direita anda descredibilizada e em lutas intestinas e por isso não terá maioria para governar. Estes argumentos também me parecem ser oráculos. E se, entretanto, a direita se conseguir reorganizar?

O argumento que faz depender dos problemas internos nos partidos de direita e das circunstâncias políticas atuais um possível entendimento à esquerda, parece-me estar a desvalorizar qualquer hipótese de a direita vir a ter maioria. Repare-se que no caso do PSD se Paulo Rangel ganhar a liderança assumiu acordos com a Iniciativa Liberal. Por outro lado, o CDS está a ser desfalcado de militantes que, na melhor das hipóteses, irão engrossar o IL e já não incluo o Chega. O imprevisível em política acontece.

Mantendo-se os partidos à esquerda do PS, PCP e BE, irredutíveis e na negação de cedências e de acerto de alguns consensos e compromissos é também provável que, mesmo que uma maioria de esquerda saia das próximas eleições, seja mais difícil manter-se um acordo semelhante ou melhor do que a passada “geringonça”. O contrário disto será um otimismo e uma profecia de Fernando Rosas. As dificuldades que existem na direita são um argumento aceitável, contudo, quem diz que após a sua organização maioria de direita não poderá vir a ser uma possibilidade, então, lá estará a esquerda toda tramada. E a responsabilidade será então de quem?

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publicado às 19:04

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A propósito, e mais uma vez, do chumbo do Orçamento de Estado para 2022 pelas esquerdas radicais, Daniel Oliveira, ex-Bloco de Esquerda de que foi um dos fundadoresn e do qual abandonou a militância, sendo hoje independente afirmou no programa "Sem Moderação" que o PS deseja a perda de força da Esquerda para virar ao centro e aniquilar a sua ala mais progressista.

Segundo Daniel Oliveira o chumbo do orçamento foi perpetrado por aqueles que agora dizem que a culpa foi de quem o queria aprovar, isto é, o PS. Isto parece algo como se alguém partisse um copo que estava na mesa e depois viesse desculpar-se dizendo que a culpa foi de quem colocou o copo na mesa.

Mas, afinal, quem poderia aceitar as propostas do BE e do PCP para alteração do O.E. que iriam colocar novamente Portugal no fio da navalha orçamental, dando passos mais compridos do que a perna.

Daniel Oliveira afina o seu diapasão com Catarina Martins e com Francisco Louçã e arroja dizer que “Há uma parte do PS que quer secar o Bloco de Esquerda e o PCP, e isso é por causa do próprio PS”. E que “Há uma parte que vê grande vantagem nisto", para virar o PS ao centro. Talvez até não fosse mau de todo, mesmo os que são de esquerda começam a estar fartos especialmenet do BE. Os que ainda seguem as teses do BE no que se refere ao chumbo O.E. ou são os seguidistas a todos o custo e os sectários.

A política é uma ciência social recente não exata, baseia-se nas probabilidades não quantitativas dos  acontecimentos, a não sere em sondagens. Procede à análise dos fenómenos que impliquem a existência de poder político, ou seja, dos fenómenos que impliquem a capacidade de influenciar os indivíduos. Para tal tenta explicações prováveis mais ou menos fundamentadas, por meio de estudos, observações e experimentações, esta última difícil de executar em ciência política.

Sobre política o que nos chega, a nós, leigos, não são os resultados de investigações sistemáticas e metodológicas, são apenas comentários e opiniões transformadas em hipóteses não comprovadas empiricamente, e as intervenções de políticos, essas, conforme as ocasiões do tempo político.  

Deste modo, quando se dão opiniões ou se escrevem comentários sobre política, mesmo os que estão nos seus meandros baseiam-se nas informações que têm e em decisões aproximadas tendo em conta factos, experiências anteriores e informações obtidas nos momentos.

Voltando ao propósito de Daniel Oliveira é interessante analisar a sua análise doa acontecimentos políticos que estão implícitos na sua afirmação de que "a radicalização da Direita facilita" o processo, ao mesmo tempo que a "perda de força do Bloco de Esquerda e do PCP libertam o voto para a extrema-Direita". Esta afirmação causa-me alguma perplexidade. Então se o BE e o PCP perdem força a consequência é o voto ser libertado para a extrema-direita? Mas os votos libertados de onde e de quem vão para a extrema-direita?  

E mais, teorizou ele, "Dá-se uma inclinação total do sistema político para a Direita por falta de força da Esquerda, e isto tem a ver com lutas internas no PS."

Alguém por aí me ajude a perceber!

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publicado às 19:28

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A propósito do CDS tem-se verificado que os portugueses não apreciam radicalismos e que se situam mais ou menos no centro político e que a propósito de eleições antecipadas, alguns líderes partidários, comentadores, analistas políticos, sobretudo os que afinam o seu mecanismo narrativo pelo lado ideológico à direita têm anunciado que, politicamente, e referindo-se sobretudo ao PS, partido do Governo, está em fim de ciclo, está esgotado.

Não é o Governo que está em fim de ciclo, como nos querem fazer crer, são os partidos tradicionais partidos da direita que ajudaram a construir a democracia, que parecem estar há algum tempo em fim de ciclo, talvez desde que partidos como o Iniciativa Liberal e o Chega foram constituídos.

O PSD e o CDS-PP, sobretudo este último, tiveram falta de visão. Foram eles que criaram as condições para o surgimento de partidos mais à direita, sobretudo como consequência do mandato de Passos Coelho e Paulo Portas e da formação da chamada “geringonça”. O abandono do debate ideológico e estratégias imediatistas para chegarem ao poder terão para isso contribuído. Para poderem conquistar votos ou alinhavam mais à direita ou mais à esquerda consoante opiniões e sondagens. Ora se assumiam à direita, ora se afirmavam como sendo do centro, ora do centro-direita.

Também a propósito, o que está a passar-se no CDS não deveria estar a acontecer. Como desconheço o que se passa internamente nos partidos, a não ser pelos órgãos de comunicação, pouco ou nada posso acrescentar não ser algumas opiniões sobre as causas dos problemas internos que se refletem no contexto democrático do país.

Culpabilizar e responsabilizar um líder eleito por maioria em 26 de janeiro de 2020 no 28º Congresso do partido pelas perdas de votos nas autárquicas a menos de um ano após ter sido eleito parece-me um pouco oportunismo dos que se lhe estão a opor, nomeadamente o apagado e deslocado no Parlamento Europeu Nuno Melo.

O CDS-PP não é como têm dito o partido fundador da democracia. O partido procurava corporizar politicamente as ideias da direita moderada e foi conotado com os setores mais conservadores da sociedade portuguesa e, por isso, sofreu ataques pela esquerda mais radical. Foi um dos partidos de direita atores no estabelecimento da democracia, embora na altura nem sempre alinhasse no processo democrático pelos melhores motivos devido a possíveis ligações com movimentos da extrema-direita, mas foi-se aos poucos democratizando sobretudo com o seu presidente já falecido Freitas do Amaral.

O que se tem passado ultimamente passado no CDS não é nada bom e pode acabar com a sua extinção cujos militantes e simpatizantes poderão ir engrossar a Iniciativa Liberal, talvez menos o PSD e até mesmo o Chega, o que não é nada bom para a nossa democracia dado que os partidos radicais de direita que existem por aí ávidos por arrecadar algumas franjas das direitas. Note-se que o votante destes dois últimos partidos na sua maioria supõe-se serem oriundos do PSD e do CDS-PP, poucos terão vindo das esquerdas.

O CDS sendo um partido de direita nunca foi até agora um liberal radical apesar do seu atual líder dizer em outubro de 2019 que era admirador da ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher e do antigo presidente norte-americano Ronald Reagan, dois políticos neoliberais conservadores. Em janeiro de 2020 confessava-se admirador de Paulo Portas. O CDS é um partido que, bem liderado, poderá recuperar alguns votos que perdeu para outros partidos.

A não ser quem fala em fim de ciclo do Governo com o objetivo de induzir quem os escuta a uma deslocação para a direita, não há nota nem provas disso, a não ser circunstanciais, que aponte para um fim de ciclo. Para tal teríamos que conhecer se haverá ou não deslocação de votos dos chamados flutuantes para a direita pois estes eleitores são os que determinam muitas vezes qual o(s) partido(s) que vão ocupar cargos de governação. São estes eleitores voláteis que oscilam com as suas preferências de voto de uma eleição para outra e que poderão orientar-se para o Chega e para a Iniciativa Liberal engrossando as suas fileiras.

Assim sendo, uma coligação entre o centro-esquerda e centro-direita poderia ser uma opção, mas não é bem aceite por vários setores sociais e partidos nem por esse “passadista” Paulo Rangel candidato a líder do PSD. Por outro lado, a ser concretizada poderia, a prazo, causar instabilidade social e movimentações sindicais condicionados por partidos da esquerda radical.

O exemplo da Alemanha que foi governada mais de dezasseis anos pela chamada “Grande Coligação” demonstra-nos a possibilidade ou não de o mesmo poder acontecer em Portugal. A nossa cultura política e o ambiente social são diferentes da Alemanha, mas uma adaptação dos princípios poderia ser ajustada. Vejamos quais os argumentos, as principais vantagens e os princípios que presidiram à formação de uma grande coligação no caso alemão, mas que se poderia a adequar ao caso português. Ao contrário do sistema bipartidário, as coligações evitam a polarização social e obrigam os partidos a criatividade na capacidade de compromissos. Quando nenhum partido político, por si só, consegue uma maioria no Parlamento torna-se necessário uma solução bi ou pluripartidária.

Para além de maiorias absolutas nos parlamentos o que pode contribuir para a estabilidade são também os acordos de coligação que se caracterizam por acordos entre parceiros de coligação, no início de um período legislativo sobre as metas que pretendem atingir nos próximos anos. Embora com enquadramento diferente foi o que aconteceu em Portugal à esquerda com a “geringonça” desde 2015 que agora mordeu a corda graças à radicalização dos partidos à esquerda do PS.  

Em Portugal desconfia-se de maiorias absolutas, e os partidos, sobretudo os da esquerda radical fazem os possíveis para, nos momentos eleitorais, diabolizar as maiorias absolutas como sendo um mal, talvez aproveitando-se das más experiências a que o país esteve sujeito quando foram eleitoralmente concretizadas à direita. Contudo, maiorias aritméticas parlamentares têm mostrado ser uma boa opção. É óbvio que isto também depende do conteúdo ideológico e programático dos partidos que se apresentam a essa solução.  

Com Rui Rio na liderança do PSD um acordo pós-eleitoral a nível parlamentar poderia ser uma hipótese a considerar, uma espécie de coligação semáforo, uma espécie de geringonça ao centro e centro-esquerda. Neste caso faria sentido houver conversações bilaterais entre o PS e o PSD, já que existe matéria em comum que pudessem estabelecer. Todavia, as bases do PS mais à esquerda e as mais à direita no PSD forçariam o bloqueio desta solução.

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publicado às 19:08


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