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A democracia é assim mesmo, dá sempre lugar à regeneração

03.10.17 | Manuel_AR

Miguel Júdice.png


Após estas últimas eleições no seio das direções de informação começaram a perfilar-se novas composições na área do comentário político. A estreia foi iniciada com a TVI. O comentário político que José Miguel Júdice fazia às terças à noite na TVI24 passa a ser agora às segundas feiras no jornal da oito da TVI. Não é por acaso porque neste canal, e a àquela hora, apanha mais audiência a nível nacional. A TVI convidou Miguel Júdice, que andava há alguns anos afastado, para comentador algum tempo após o acordo parlamentar do PS com o PCP e o BE.


Como já várias vezes tenho escrito os comentadores de direita proliferam pelos canais de televisão falando com isenção duvidosa. Basta ver o perfil de Júdice para se compreender esta mudança. Anti esquerda convicto e com ódio às esquerdas mais radicais, talvez porque foram elas que ajudaram a apagar do mapa político português a influência da extrema direita.


Quem consultar documentos da época da revolução do 25 de abril ficará a saber que Júdice, embora não diretamente, esteve envolvido em conspirações antidemocráticas, com gente e partidos da extrema direita no norte do país que arquitetaram a rede bombista de 1976 causando a morte a várias pessoas. A história fará recordar aos mais novos a constituição do ELP (Exército de Libertação de Portugal) e do MDLP (Movimento Democrático de Libertação de Portugal), o primeiro mais militar do que político. O MDLP, a 17 de fevereiro de 1975, ensaiou um golpe de Estado. A 5 de maio de 1975 era oficialmente constituído o MDLP, uma força política de extrema-direita ficando a área da Política ao cuidado de José Miguel Júdice, na altura saudosista assumido do salazarismo. Em princípios de 1980, José Miguel Júdice aderiu ao PPD hoje PSD, onde militou. Em 2006 desfiliou-se do PSD e apoiou a candidatura de Cavaco Silva a Presidente da República. Em 2007 aceitou ser mandatário da candidatura do Partido Socialista, encabeçada por António Costa, à Câmara Municipal de Lisboa.


É agora comentador prime time na TVI. Nada contra, a democracia é assim mesmo, deve dar oportunidades de regeneração e ainda bem. Nada contra. Mas o que também acho é que devem ser dadas oportunidades para o contraditório a comentadores de esquerda residentes, que são escassos ou até, em alguns canais, muito incipientes ou disfarçadas em debates, aparecendo só em situações especiais.


Imagem tirada de http://www.jornaleconomico.sapo.pt/noticias/judice-novo-banco-vai-comprado-pelo-preco-da-uva-mijona-90073

O centrar da discussão política da direita em torno das perdas eleitorais do PCP

02.10.17 | Manuel_AR

Boia de salvação do PSD.png


Boia de salvação da direita


Os resultados das eleições autárquicas foram a evidência e, de certo modo a validação das políticas do Governo com o apoio parlamentar do PCP, BE e Verdes.


A direita foi derrotada em quase todas as frentes, exceto nos distritos onde o voto é tradicionalmente de direita por algum atavismo politico, cultural e religioso. O CDS-PP apesar de em Lisboa ficar à frente do PSD canta uma vitória minimalista que Assunção Cristas quer mostrar como sendo uma grande vitória no país.


A direita através dos seus jornalista e comentadores de serviços pretende agora desviar as atenções da sua derrota para o tema da perda de algumas câmaras que a CDU (PCP-PEV) detinha desde 2013, algumas delas importantes, que foram para as mãos do PS. A razão é simplesmente, a de criar tenções entre aqueles dois partidos, fazendo crer que o PCP perdeu com o apoio parlamentar que tem dado ao PS.


As diferenças não foram significativas em Évora e Beja, por exemplo, o PCP-PEV manteve a presidência e os mandatos apesar de alguma perda de votos, e não é claro se as pequenas perdas foram favorecer o PS.  Em Almada perdeu a Câmara, mas manteve o número de mandatos, e a diferença em valores percentuais não é significativa. Em todos os casos em que o PCP perdeu influência poderá fazer acordos com o PS porque há para isso condições.


Deste eventual conflito a direita tiraria dividendos, e as suas Pítias de serviço iriam tentar mostrar que tinham razão sobre o periclitante apoio parlamentar do PCP, que diziam ser traiçoeiro e, como tal, iria desabar.


Se tal se verificasse era uma boia de salvação para a direita e talvez até para Passos Coelho, daí ficar em modo de espera até ver o que isto dá para depois tomar opções.


A direita com objetivo de provocar conflitos entre aqueles partidos quer agora demonstrar que o PCP, ao deter a força sindical, irá provocar contestações e greves para forçar o PS a ceder a cada vez mais exigências. A pergunta que se pode fazer é o que ganharia o PCP com um conflito político neste momento. Avançar para eleições antecipadas que o iriam de certo modo prejudicar? E o que ganharia a direita? Daí que o líder do PSD tenha dito que iria avaliar e refletir.


Sem querer ser também uma Pítia da política suponho que a reflexão de Passos sobre o resultado das eleições não se irá traduzir em demissão e seria bom que não o fizesse porque parece à primeira vista que, quem avançar para a liderança do partido não terá apoios internos suficientes, a não ser que seja um qualquer elemento da linha neoliberal direitista do atual líder. Prevejo com desagrado que o PSD não regressará à verdadeira social-democracia tão cedo. Espero que me engane.


 

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