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Notícias, Opinião, Política, Sociedade e, a Propósito de Quase Tudo

Crítica e opinião sobre quase tudo. Como vejo a política, bem ou mal, ao correr da pena com origem em fontes fidedignas. Comunicação, lifestyle, sociedade, ambiente, trabalho, migrações e tanto mais.

Reportagem desleal de Ana Leal na TVI?

12.10.16 | Manuel_AR

TVI_Ana Leal.pngOntem a reportagem de Ana Leal que passou na TVI pareceu-me, desta vez, desleal, não isenta e parcial. Não foi dado qualquer esclarecimento sobre a causa para as crianças terem sido retiradas às mães. Um advogado contratado para comentar nos ecrãs o acontecimento nada disse sobre as mesmas causas, limitou-se falar nas consequências e centrou-se na crítica às leis inglesas que levaram à consequência descrita. Limitou-se a criticar a legislação inglesa que conduziu a tal ação (sem falar nas causas, repito) e a pedir a intervenção/pressão do Governo sobre as leis dum país soberano.


Como não me foram fornecidos pela reportagem, e consequente entrevista, quaisquer elementos sobre as causas de tal desumanidade exercida sobre o direito das mães portuguesas, a quem foram retirados os filhos nada se poderá dizer sobre a justeza ou não das leis inglesas que levaram a retirar as crianças às suas mães.


Para ser lido com algumas reservas poderá ser consultado um artigo de opinião sobre a mesma reportagem que será talvez mais esclarecedor, havendo, no entanto, o cuidado de se confirmar e cruzar a informação nele contida.


A decisão do tribunal pode ser vista aqui também com algumas reservas.

Políticos residentes e políticos não residentes

10.10.16 | Manuel_AR

Correio da Manhã.pngSócrates é o político residente das primeiras páginas do tabloide Correio da Manhã, da revista Sábado e do canal CMTV. Sempre que necessário, e a palavra necessário pode aqui ter várias leituras, lá vem a público mais uma novidade não comprovada de fonte a que estes órgãos dizem sempre ter acesso.


Hoje foi mais um desses dias.


Sobre outros casos raramente nos informam. Mas nós, o povaréu, gostaríamos de saber o que se passa com o caso do Banco Efisa quando Miguel Relvas, na altura ministro do Governo PSD e CDS presidido por Passos Coelho, decidiu capitalizar aquele banco em 90 milhões de euros e pediu em 2016 para entrar na Pivot, a sociedade que adquiriu o banco Efisa.


Quando em abril de 2016 Miguel Relvas foi chamado a depor sobre este caso recusou-se dizendo que apenas o faria por escrito, tudo isto devido ao que estaria por detrás dum banco que recebeu capital público e tivesse sido vendido a uma empresa privada. Sobre este caso se veio a público foi uma vez e por aí ficou.


E o que nos têm informado aqueles pressurosos órgãos de comunicação social sobre o caso avançado pela RTP em maio de 2015 de Marco António Costa estar a ser investigado pelo Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) do Porto, na sequência de uma participação, em que se denuncia que terá beneficiado amigos e pessoas da estrutura partidária, confirmada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) na sequência da denúncia de alegados crimes de tráfico de influências durante os mandatos na Câmara de Gaia.


E sobre os 150 casos de “swap”´s que o Ministério Público estaria a investigar o que nos têm a dizer? Pois é, estão em segredo de justiça. Será este só para alguns e não para outros?


E o que nos dizem os mesmos órgãos de comunicação sobre como se encontra a investigação do caso BES e Ricardo Espírito Santo. E, para ir mais longe gostaríamos que os diligentes órgãos nos fossem informando sobre o caso de Dias Loureiro e do BPN porque disso nada mais soubemos.


Façamos aqui justiça ao CM que em maio de 2015 assegurava que tinha contactado a antiga diretora do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), Cândida Almeida, sobre o facto de o processo de Dias Loureiro nunca ter sido direcionado para a Polícia Judiciária. A ex-dirigente do DCIAP não soube – ou não quis – explicar, o que leva o aquele diário a concluir que a investigação foi “abafada”. Esta notícia do CM não é possível ser confirmada já que a página onde se encontraria o seu desenvolvimento dá erro. Porque será?


É importante sabermos mais sobre outros casos porque de José Sócrates já estamos fartos, pelo menos até ao julgamento, quando o houver.


 


 

O lamentável espetáculo dos taxistas são prova do serviço de qualidade

10.10.16 | Manuel_AR

Taxistas_2.png


 


Se há alguém que tem que mudar são os táxis. Os taxistas ainda não perceberam que tudo está em mudança, incluindo os transportes e a mobilidade urbana.


A manifestação dos taxistas por boas razões que tenha não é mais do que um protesto que apenas serve para protelar um problema que, mais tarde ou mais cedo, terá apenas um fim, o reconhecimento de empresas do tipo Uber e Cabify ou quaisquer outras que se instalem no mercado. Os taxistas estarão sempre contra qualquer legislação desde que não seja a manutenção dum monopólio cujas traves mestras da lei que os regulamenta, como sejam contingentes, limites geográficos, viaturas caracterizadas que data dos anos 40 fazendo de conta que desconhecem que o mundo está a mudar. Por mais que se justifiquem alegando que o problema é da lei injusta o que na realidade pretendem é continuar com o monopólio deste tipo de transporte. A classe constituiu-se numa espécie de máfia dos transportes individuais que destrói propriedade alheia (a dos concorrentes que não fazem parte do grupo) para manter o controle dos transportes públicos individuais dos espaços urbanos.


Os estabelecimentos de venda direta ao público de bens e serviços deveriam também manifestar-se contra as vendas dos mesmos online, porque estes estão também em manifesta vantagem em relação aos tradicionais.


O que os táxis pretendem é o que, naturalmente, o comércio e serviços das grandes cidades gostaria também pretenderiam. Numa economia de mercado que todos desejamos a competição é salutar para melhoramento dos serviços prestados.


Não são os taxistas que ditam o que é bom, ou o que é mau, nem a qualidade dos serviços que uns e outros prestam, é o cliente que sabe o que quer, e que, quando não quer, ou não lhe serve, possa escolher.


As desculpas das obrigações e os encargos que uns têm e outros não, são determinados pela legislação. Poderão os taxistas ter razão, mas o problema não é esse, é que mesmo que assim fosse arranjariam novos argumentos para contestar qualquer novo modelo de serviço prestado.
Eles têm direitos e obrigações de serviço público, como sejam os benefícios fiscais na compra dos veículos, o uso das faixas BUS, o exclusivo das praças de táxi, a simplicidade de formar um contrato de transporte com o cliente a partir de um simples braço no ar na via pública. Estas vantagens que são (e serão) exclusivas dos táxis têm obrigações correspondentes. O preço é “dado” pelo taxímetro, os condutores são profissionais, as Autarquias decidem qual o número de táxis no seu território.


O que pretendem é manter o monopólio dos transportes individuais nas cidades.


As novas tecnologias que a Uber ou qualquer outra empresa utilizam facilita a vida aos cidadãos deste modo os taxistas deverão responder adaptando-se, arranjando novas soluções para poderem competir. Vivemos num mercado de livre iniciativa e a concorrência é salutar para o consumidor.


Recordo-me há alguns anos que os taxistas na altura se insurgiram contra o alargamento do acesso a novos alvarás. É uma classe conservadora do seu monopólio, sem capacidade de inovação, acomodada a uma legislação que, de certo modo, sempre os protegeu apesar de lhes exigir demasiado.


Claro que o PCP aproveita a oportunidade política para mostrar o seu conservadorismo no que se refere à evolução e ao mercado da livre concorrência. Revê-se na corporação taxista por ser uma espécie do sempre sonhou, o mercado controlado por monopólios geridos pelo Estado. Por outro lado, protege cooperativas de táxis que lhe são mais ou menos afetas.


Não é justo que os táxis tenham de pagar alvarás e licenças e os condutores da Uber não, mas os táxis devem arranjar alternativas de concorrência com a Uber fornecendo serviços de transporte público, individual, que também o são, com inovação e competindo em qualidade.


A Uber não é um táxi é um serviço de condutor e viatura que eu contrato particularmente para me transportar para onde quero. Os taxistas não querem perder o controle da cidade, não querem mudança que sirva para melhorar o serviço aos utentes.

Lamparina da opinião

06.10.16 | Manuel_AR

JMT_Lamparina.png


A imprensa diária de hoje dá relevo de primeira-página e saúda a eleição de António Guterres para Secretário Geral da ONU. A exceção é do Correio da Manhã que faz apenas uma pequena referência em cabeçalho. Para este tabloide os títulos em letras gordas onde se anunciam meias verdades ou verdades tendenciosamente adulteradas são sinónimos de venda. Neste caso não interessa a importância do facto, não é escândalo, não é acidente, não é pânico, não é catástrofe, não é notícia má para Portugal, não provoca instabilidade, não descredibiliza, não é Sócrates. Se não é nada disto, logo, não merece destaque em cacha (notícias mais importantes com direito a um grande título, na primeira página).


Não contesto a importância para Portugal do facto de Guterres ter conseguido por mérito próprio o lugar de Secretário Geral da ONU, nem o prestígio de estar um português naquele lugar e posso até não lhe atribuir a importância que, de facto, tem.  No entanto, há por aí luminárias de comentadores que são conhecidos como adoradores do neoliberalismo a qualquer preço, como João Miguel Tavares, ex-colunista do Correio da Manhã e atualmente do jornal Público, que pretendem ser originais nos artigos de opinião que escrevem por aí e que, por tortuosas prosas, procuram desacreditar pessoas apenas e só porque não são da mesma fação.


Não interessa para o caso se a coluna de opinião que hoje publicou, onde descreve com frieza, indiferença e disfarçado regozijo o facto de Guterres ter obtido o lugar relevante da ONU com alguns senãos pelo caminho.  Mas não é por aí que o estala o verniz. Tavares pode ter a opinião que quiser, o que é extraordinário é o título “Tão bons lá fora, tão maus cá dentro” que dá ao artigo tendencioso e despropositado, pretendendo abranger não apenas Guterres, mas também outros da mesma área política e ideológica.


Mais comentários sobre esta lamparina da opinião são escusados a não ser que seria interessante saber o que escreveu sobre o sombrio caso de Durão Barroso.   

A Conspiração

02.10.16 | Manuel_AR

Cesar das Neves.png


 


Se alguém for de esquerda, moderada ou não, terá mais é que se converter. Se for católico, mas tiver ideias de esquerda converta-se na mesma.


Antes de começar a escrever este "post" pensei se deveria ou não fazê-lo, dado a náusea que me causa comentar as declarações patéticas dum sujeito que se deve julgar uma sumidade em economia política. Questionei-me se seria  merecido qualquer comentário dum simples cidadão desconhecido que em tempo colocou aqui um texto intitulado “Injustiçado ou perda da razão” sobre o douto professor. Gastar o meu tempo com ele seria continuar a dar-lhe importância, mas, por outro lado, não ficaria bem comigo se perdesse a oportunidade de lhe chamar alguns imagináveis e não explícitos nomes à boa maneira diplomática. Refiro-me ao senhor César das Neves, professor na Universidade Católica, cuja cristandade e consequente caridade andam muito afastados do seu pensamento hipócrita. Percebe-se pelas enormidades contraditórias que lança por aí.


As contradições entre o que diz e o que pensa são abissais. Quando numa entrevista foi confrontado com algumas afirmações do Papa Francisco, confundiu, baralhou, refugiou-se em questões retóricas que não se colocam nem estão implícitas em afirmações do Papa e tenta falaciosamente reconstruir a realidade.


Quando confrontado com questões objetivas desvia-se da objetividade refugiando-se em lugares comuns como defesa para a fragilidade dos seus argumentos. É o homem do talvez, e do não tanto. A ambiguidade é a sua arma de defesa.


Adoro uma boa teoria da conspiração, mas este sujeito passa das marcas ao afirmar enormidades como "Reformados e funcionários públicos controlam a política e a comunicação social". Ele deve estar enganado, mais parece ser o contrário, porque eu não vejo em nenhuma comunicação social nem reformados, nem funcionários públicos a fazer declarações nem a ocupar primeiras páginas de jornais nem canais de televisão.  É uma patológica falsa realidade por ele imaginada gerada por ódios pouco dignos de quem se diz um convicto cristão.


Fazer declarações polémicas desta espécie é ser um porta-voz em Portugal do pior que tem o neoliberalismo, embora afirme que não é neoliberal, nem sequer é liberal. Então afinal o que é?


César das Neves disse nas jornadas parlamentares do PSD em fevereiro de 2016 que "o país é mesmo socialista. Todos os partidos, do CDS ao Bloco de Esquerda, é tudo socialista". Esta frase terá várias leituras. A minha é simples, não sendo ele socialista, dizendo que não é liberal nem neoliberal, logo, um bom governo será uma ditadura de ultradireita. Aliás, muitas das suas afirmações parecem defender esse tipo de regime para Portugal. Aliás uma prova do que afirmo é está num comentário sobre um artigo que ele escreveu em 2013 e que pode ver em Mas que filme é este?


O oportunismo deste senhor é tal que aproveita o momento da visita do Papa Francisco a Fátima para lançar um livro onde se prevê desde já seja uma deturpação tendenciosa do que este Papa tem declarado.  “Os revolucionários querem usar o Papa como arma de arremesso”, disse numa entrevista. É uma tendenciosa inversão dos factos e o pressuposto da ignorância dos outros. Faz afirmações que não podemos aceitar como verdadeiras, porque acha que não se pode provar que é falso o que diz. Vejamos então. Será que alguns dos princípios e ideias do Papa Francisco que têm sido divulgadas são originais e nunca ninguém as pensou ou se pensou não as disse?


Sobre o assunto afirma que “a direita quer manter o que tem e os outros estão a atacar. Neste momento, a esquerda está em crescendo, o problema é uma crise do capitalismo. Temos a direita a resmungar que o Papa é desagradável, mas não se atrevem a dizer mal dele. Mas a esquerda está contente, não para se converter e ouvir o Papa como pastor, mas para o usar como arma de arremesso”. Reparem na palavra converter. Se alguém for de esquerda, moderada ou não, terá mais é que se converter. Se for católico, mas tiver ideias de esquerda converta-se na mesma.


A sua política, diz César da Neves, é a defesa da doutrina social da igreja, mas, ao mesmo tempo, acha que é preciso cortar nas reformas e nos salários da função pública. A conspiração deve ser uma das suas missões, pelo menos no que toca àquelas duas parcelas da sociedade, já que, segundo ele, são estes grupos instalados que controlam a nossa política e os nossos jornais. Quando se lhe pede uma explicação sobre qual o grupo de reformados tem jornais e a resposta é nada e vazia “Eu não vejo é ninguém a falar contra esses interesses instalados e preocupado com a criação da riqueza”.


Quando se pergunta a este professor da cadeira de História do Pensamento Económico na Universidade Católica se acredita que há uma ciência económica única e não várias abordagens responde que “talvez”, mas não tanto” e acrescenta o seu grande pensamento dizendo que “todos os modelos de compreensão da realidade são errados, mas alguns são úteis”. Poderá perguntar-se se será útil o que está errado, a não ser a utilidade para demonstrar que está errado? E se são úteis em quê e para quê? É claro a sua verbosidade é tal e inconsequente que até origina uma confusão mental em quem o lê.


Então mete-se por campos filosófico e diz que “a realidade não existe”, e retifica, “o que nós sabemos da realidade é uma apreensão humana”. A sua bazófia é tal que encaixa os factos que o circundam na sua própria definição de realidade em vez de fazer o contrário.


Para esta lente de sabedoria a todos os graves problemas económicos e sociais em Portugal e no Mundo se deve “responder com a doutrina social da Igreja: temos de responder recusando a luta de classes e, pelo contrário, falando na harmonia das classes; nós temos de criar uma integração daqueles que estão a ser marginalizados pelo processo…”. Se, por um lado, coloca a sociedade contra os reformados e os funcionários públicos, tomando-os como algo a marginalizar e a sair fora do processo, por outro, fala de integração de quem está a ser marginalizado pelo mesmo processo.


Baseia-se na doutrina social da Igreja e diz que é revolucionária, mas acrescenta que ela é revolucionária no sentido da mudança de corações, que é a única forma que garante a mudança do sistema. Refugia-se na confusão da espiritualidade teológica e nas palavras sem clareza que diz, apontam o caminho da mudança dos corações. E a praxis onde fica? Nada deve mudar, mas tenham esperança e fé.


Vejam a maravilha de resposta quando lhe foi pedido o que tinha a dizer sobre o que disse o Papa Francisco quando “chamou aos movimentos sociais, que convidou a colocarem a economia ao serviço do povo, “semeadores da mudança”, e nesse grupo estavam movimentos como os Sem Terra do Brasil.” Resposta clara e esclarecedora: “Sim, muitos deles ligados à Igreja. Estão lá a evangelizar. Estão lá a falar a favor dos pobres e em nome de Jesus Cristo. Estão lá a fazer aquilo que a Igreja está a fazer há muito tempo.”.  Isto é, à pergunta disse nada. Ficaram esclarecidos? Sim? Ainda bem porque eu não.


E mais não digo porque, enquanto cidadão comum e pertencente à grande massa de ignorantes, não tenho categoria para comentar este omnisciente.

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