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Os judas da política

por Manuel_AR, em 11.03.13


 


Ao aproximarmo-nos da Páscoa vem a propósito recordar o símbolo da amizade falsa, da hipocrisia e da traição que é representado na cultura judaico-cristão por Judas, que entregou Jesus Cristo aos romanos a troco de “trinta dinheiros”.


Na política encontramos vários “judas”, que sendo militantes bem colocados no aparelho dos partidos, espreitam a cada passo a ocasião oportuna para trair, normalmente os seus líderes com o objetivo de, posteriormente, virem a receber os “trinta dinheiros” que serão o pagamento pela traição.


Se ouvirmos falar alguns nomes relevantes desses partidos, e deixemo-nos de metáforas, nomeadamente do Partido Socialista, ficamos estarrecidos quando os vemos colocarem-se numa postura de falsa independência, democracia e do tudo a bem dos portugueses. Em vez de uma oposição ao Governo, fazem ante uma tentativa de colagem. Vou ser mais claro; não fazem nem colaboram com unanimidade numa oposição ao Governo, antes tentam mostrar que, em vez de oposição, o que se deve fazer é um entendimento estratégico com o PSD em nome, dizem, do interesse nacional. O que se espera disto será talvez o posterior recebimento dos tais “trinta dinheiros” pagos em cargos políticos ou outros com que, esperam, alguém os recompensará mais tarde! E isto, numa altura em que este Governo está a ser cada vez mais contestado e é necessária uma oposição forte de alternativa convicta e sistemática e, ao mesmo tempo, responsável em vez de tentar desgastar a pouca que se lhe faz.


São eles alguns senhores do PS, anteriormente apoiantes de José Sócrates, que se transformaram e agora, de forma subtil, vão lançando para opinião pública a ideia de que nem tudo está mal, que o Presidente da República faz bem em não falar muitas vezes, que talvez o que seja necessário seja uma cooperação com o Governo em várias matérias, porque é necessária para a coesão nacional e para o bem de Portugal, etc., etc.. Estamos já mesmo a ver o que isto nos traria. Estamos fartos de boas intenções, enganos e de promessas não cumpridas. A quem me estou a referir? A ninguém especialmente. No PS cada um que enfie a carapuça que lhe couber.

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publicado às 17:13



Imagem de: http://cidadedegente.blogspot.pt


1. Os porta-vozes dos partidos que apoiam o governo, esgotados os argumentos às críticas que fazem ao Governo e ao Primeiro-ministro, voltam-se agora novamente para o passado, único argumento que conseguem tirar da manga do casaco. Está já gasta a recuperação do como e do porquê chegámos até aqui. Basta! Já sabemos como se chegou até aqui. O que os portugueses mais querem é que nos tirem daqui e não nos prometam à custa de sacrifício e austeridade, quimeras e prosperidade num futuro que sabemos não chegará.




2. Tenho escrito várias vezes contra os comentadores políticos e contra os chamados líderes de opinião que defendem, no direito democrático de expressão do seu pensamento, alguns pontos de vista numa falsa perspetiva de a bem do país.


Encontram-se neste quadrante os que falam em nome dos que apelidam de sensatos porque não participam em manifestações, se encontram alheios ou ficam perplexos com o que se passa. Como supostos intérpretes dos pensamentos destes grandes grupos onde se dizem estar incluídos, apresentam alternativas em que a economia não seja o único critério para a governação devido à complexidade das relações sociais moderna. Neste último ponto estamos de acordo. O que parece ser duvidoso e me deixa perplexo a mim, e não sou dos que pensam que se devem deixar de cumprir os nosso compromissos, é quando afirmam que há necessidade de um consenso político que tenha como pano de fundo o memorando assinado com a “troika”.


Sugerem ainda que esse consenso deveria ser obtido através da ação presidencial. Não fica claro que tipo de consenso seria esse. De salvação nacional com todos os partidos? Não vejo isso como possível visto implicar a aceitação por todos das condições impostas que seguem a linha, segundo a qual o primeiro-ministro diz estar no bom caminho. Um consenso alargado entre os partidos do Governo e o Partido Socialista que deveria ser forçado pelo Presidente da República? Isto é, implicar e envolver o PS nas medidas que irão ser tomadas e, então, todos os portugueses descontentes iriam aderir e apoiar apenas porque muitos deles se calavam e passariam a sofrer em silêncio e deixar de encher as ruas com o seu clamor de protestos. Os senhores que apoiam este tipo de políticas são de facto líricos ou receiam o avanço eleitoral dos partidos mais radicais de esquerda.




3. Não nos podemos esquecer que o Presidente da República, em circunstância idênticas, na altura do anterior governo, do qual dizia-mos, e na altura com razão, estar fartos, tecia críticas em tons particularmente violentos ao ex-primeiro-ministro Sócrates que ajudou indiretamente a derrubar. Agora a sua orientação é outra. Fala de uma necessidade de “solidez e consistência da coligação governativa” do imperativo da “coesão nacional, que não se esgota na concertação social” e do “consenso político alargado com as diversas sensibilidades da sociedade portuguesa”. Atitude diferente da anterior. Como Presidente de todos os portugueses, facciosismo não lhe falta.


Em síntese a quem serviria um consenso alargado onde as políticas seriam mais ou menos as mesmas mas apoiadas por mais um partido?




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publicado às 19:45




Imagem de: http://www.opolvodanoticia.com/


 


 Tudo o que Paulo Portas diz ou venha a dizer é meramente propaganda e marketing. Aliás, basta recordarmos tudo o que dizia quando estava na oposição no tempo do anterior Governo e que agora mandou para detrás das costas do próprio esquecimento.


 


O ministro Paulo Portas passou a ser também o diretor de marketing de Portugal com o apoio implícito do primeiro-ministro. Pelo menos é o que temos visto nos últimos tempos em que Paulo Portas, umas vezes como líder do CDS/PP, outras como Ministro dos Negócios Estrangeiros, anda numa roda-viva a tentar aumentar as nossas exportações e a defender os nossos produtos do sector agroalimentar. Como líder do CDS/PP, como aconteceu no Salão Internacional do Sector Agroalimentar e Bebidas em Lisboa, em finais de fevereiro. Em 2 de março para a India, desta vez como Ministro dos Negócios Estrangeiros, com o azeite e com o vinho, como antes já tinha acontecido com o Brasil.


A comitiva de Paulo Portas, ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, integra 36 empresas portuguesas de diversos setores onde constavam, entre outras, nomes como os da Corticeira Amorim, Efacec, Martifer, Revigrés, Visabeira, Unicer e Brisa. A banca também está presente, com representantes da Caixa Geral de Depósitos, Banco Espírito Santo de Investimento, BPI. Outro sector, como já disse, foi o agrícola, que envia para a Índia cinco empresas, em especial da área do vinho e azeite.


Não podemos dizer que isto seja mau, bem pelo contrário. Todavia, há algo que nos escapa pois sempre pensei que isso deveria ser da competência do Ministro da Economia ou do Primeiro-Ministro. Estarei enganado?


Isto tudo fez-me lembrar os tempos do início da crise, quando José Sócrates, já em queda, se esforçava por levar comitivas para países que fossem potenciais compradores a Portugal, entre os quais a Venezuela.


Esta roda-viva de Paulo Portas tem dois objetivos, o primeiro é desempenhar um protagonismo que relance na opinião pública uma imagem positiva em contraponto com o primeiro-ministro e com o Ministro da Economia. O segundo é apoiar o seu ministério mais querido, o da agricultura e pescas. O terceiro é ver se consegue salvar o seu partido do atoleiro em que Passos Coelho tem metido o país progressiva e continuamente, minimizando o impacto negativo que venham a ter as próximas eleições para o CDS/PP.Tudo o que Paulo Portas diz ou venha a dizer é meramente propaganda e marketing. Aliás, basta recordarmos tudo o que dizia quando estava na oposição, no tempo do anterior Governo, que agora mandou para detrás das costas do próprio esquecimento.


 


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publicado às 18:33




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Uma das primeiras coisas que leio quando compro jornais são os editoriais. Eles exprimem a opinião da direção em relação a determinada atualidade e, como tal, veiculam a opinião de quem os escreve quando não do próprio jornal. Nem sempre estaremos de acordo com o que eles veiculam mas não deverá ser por isso devemos insurgir-nos contra quem os escreve, mas antes considerá-los como um exercício democrático da exposição livre de ideias. Sou leitor mais ou menos assíduo do Jornal i e vem isto a propósito do editorial do dia 4 de março, escrito pelo diretor adjunto Luís Rosa. De acordo com a minha interpretação faz algumas insinuações tendentes ao descrédito do movimento que deu corpo às manifestações de 15 de setembro de 2012, comparativamente à de 2 de março de 2013, aliás como é apanágio da direita e da esquerda moderada quando estão no poder.


 


O Jornalista Luís Rosa vê no movimento a comunicação de mensagens supostamente apartidárias de “capa angélica”. A questão que coloco é saber se haverá mensagens ao nível da política, venham elas da direita ou da esquerda que sejam, de facto, apartidárias. Qual será no entendimento do autor do editorial, uma PSD,CDSmovimentação de massas ou uma comunicação apartidárias?


 


Do meu modesto ponto de vista, não há nada em política que não tenha como base um vínculo, quer ideológico, quer partidário, mesmo que mais ou menos ténues. Temos muitos casos destes, o mais evidente é o dos Presidentes da República que, antes de se candidatarem deixam de estar formalmente inscritos nos partidos em que militavam, não sendo, por isso, que passam a ser apartidários ou destituídos de quaisquer opções, independentemente de se autodenominarem presidentes de todos os portugueses. A experiência valida o que acabo de afirmar.


 


O editorialista esforça-se numa depreciação da manifestação assegurando que o seu objetivo principal era a queda do Governo PSD/CDS. Para além de outros objetivos, com este a que se refere não posso estar mais de acordo. Que outro objetivo poderia ter uma manifestação deste tipo? Apoiar todas as medidas deste Governo, como era no tempo de Salazar e Caetano, tempo que talvez o jovem autor do editorial, devido à sua ainda muito jovem na altura, não conheceu nem viveu na prática. Nessa altura organizavam-se apenas manifestações de apoio ao Governo. As da oposição eventualmente organizadas eram consideradas, subversivas e, como tal, ilegais, logo reprimidas. Em democracia quaisquer manifestações podem ser pró ou contra algo e não têm que ser obrigatoriamente apartidárias, podendo até ser multipartidárias.


 


A manifestação do dia 2 de março não foi, obviamente, apartidária. Considero-a mais como multipartidária e com representação de várias tendências e não apenas de esquerda como se pretende fazer crer.


 


Voltamos a querer ressuscitar o velho fantasma e aquela máxima em que todos os que se opõem a alguma coisa que não seja o formalismo governativo vigente escondem, por detrás, algo que ataca a democracia. Os tempos do PREC e do Gonçalvismo em que se vislumbravam conspirações antidemocráticas felizmente terminaram. Há muito que estamos na Europa, se algo vier naquele sentido já não será da esquerda, mas sim da extrema-direita, basta estar atento ao que lá se está a passar.


 


Diz o Jornalista Luís Rosa que “do movimento social apartidário nascido espontaneamente no Facebook, esconde-se um ataque ao formalismo da democracia representativa e a reivindicação de uma maior participação dos eleitores nas decisões de poder político” e de imediato admite que “o sistema democrático necessita de reformas”, mas não com os líderes destes movimentos que, para ele são todos do PCP e do Bloco de Esquerda. Se é que percebi, e espero enganar-me, a participação da reforma do sistema político deve ser seletiva, isto é, apenas reservada à participação e discussão dos partidos do Governo, excluindo outros.


 


Correndo o risco de me repetir devemos então concluir que deveria ser a direita neoliberal, que nos governa, a organizar e a aglutinar o descontentamento de milhões de cidadãos. Como não é, logo, existem nuvens negras imaginárias num céu que o autor prevê, com a ajuda de uma bola de cristal, vão conduzir a um marxismo que se combate apenas com um formalismo de eleições de quatro em quatro anos. Para demonstrar a sua tese vai procurar numa arca já carunchosa, onde se encontram os bolorentos argumentos e técnicas da pedagogia do medo.


 


Se ao menos estivesse atento aos acontecimentos da atualidade, e tenho a certeza de que está, veria que em muitos países os cidadãos são chamados a participar através de referendos sobre assuntos para eles importantes (veja-se, por exemplo, o caso que veio ultimamente a público na Suíça. Mas há outros).


 


Em Portugal o poder foge dos referendos como o diabo foge da cruz. Do ponto de vista de alguns, os cidadãos apenas têm direito a manifestar o seu descontentamento de quatro em quatro anos, apesar do Governo que legitimamente escolheram, rasgue o compromisso e as promessas que estabeleceu com os cidadãos, apesar da má governação, apesar de incompetências várias, apesar de omitirem decisões que se escondem nos gabinetes, apesar de enganarem os que o elegeram, etc.,erc.. Porque os elegemos em determinado momento, teremos que os “aguentar” até novas eleições sem queixume. Como o povo costuma dizer, comer e calar, mesmo que tudo se passe nos corredores de um Parlamento onde os interesses pessoais e partidários se coloquem acima dos do país e dos cidadãos. A Itália, desde o pós-guerra já teve mais de sessenta governos, o que, consideremos, não é bom, mas não deixou, por isso, de ser a terceira economia da Europa.


 


Segundo do seu ponto de vista acha, implicitamente, que os portugueses presentes na manifestação terão sido manipulados e enganados por alguns partidos e movimentos e que os restantes, os que não foram, isto é, a maioria, apoiarão este Governo. Mas que forte convicção!


 


Não, caro Jornalista Luís Rosa, escusa de chamar ignorantes ludibriados aos portugueses e a quem esteve na manifestação. A sua análise, no mínimo, é facciosa, porque, entre os milhares e milhares de cidadãos que, como eu, lá estiveram, não se identificavam com as forças políticas a que se refere nem estão a ser enganados como subtilmente pretende sugerir. Fomos com a consciência clara do que se está a passar em Portugal que vai para além de qualquer ideologia política ou partido. Há uma outra frase, que talvez eu tenha interpretado mal, mas é o que está escrito: “São estes que lutam por uma alternativa à democracia liberal…”. Este conceito de liberal após a palavra democracia, com deve saber, pode ter várias conotações políticas e cada um tirará as que quiser, todavia, o ser-se por si mesmo partidário do liberalismo não aflige ninguém que seja democrata, porque cada um é livre de optar pelo que quiser, o que será talvez menos democrático é considerar que toda a opção democrática passa apenas por uma democracia do tipo uni-tendencial e liberal. Para sustentar esta afirmação deixo as seguintes citações:


 


“…Tenho muitas dúvidas sobre a vantagem em deixar nas mãos da direita neoliberal, mais liberal do que democrata, o exclusivo do conceito de democracia liberal…”, e, “Quando o liberalismo radical tende a recuperar a antiga oposição entre liberalismo e democracia, sacrificando a segunda ao primeiro, incumbe à esquerda defender a democracia liberal enquanto síntese da liberdade e da democracia política”.


 


Mesmo considerando que, como diz, os perigos espreitam, os portugueses já têm a maturidade suficiente para, num quadro de eleições livres e democráticas, saberem muito bem o que escolher, bem ou mal, como o fizeram para escolher este Governo.


 


Estamos, e vamos continuar a estar por muitos e bons anos, numa democracia representativa, com eleições livres e democráticas no tempo e nos termos que a Constituição prevê. Deixemo-nos, portanto, de fazer a pedagogia do medo que apenas serve para a perpetuar no poder, até ao fim de legislaturas, governos de interesse muitas das vezes para grupos restritos. Ou será que é democrático continuar a legitimar um poder que se prova estar a desestabilizar e a destruir, política e socialmente um país até uma altura em que já seja tarde de mais para se corrigirem erros e fracassos de quem nos governou. Para esse peditório já demos várias vezes.


 


Par evitar que me tomem por um “perigoso esquerdista”, termino com a frase:


 


De esquerda, eu? Não. Mas se a direita é isto então prefiro a esquerda.   





 


 

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publicado às 19:42

A manifestação é um ato de cidadania!

por Manuel_AR, em 02.03.13
  

 


O Governo e os seus porta-vozes fazem crer à população a ideia de que não há alterativas à política que estão a seguir. Não foi para isso que foram eleitos, foi para solucionarem os problemas e arranjarem alternativas. Para dizer isso, então, qualquer um serve para estar no poder. Sabem que têm falhado, mas a cegueira é tal e o apego ao poder é tanto que nem têm a coragem de dizer que se enganaram. Pelo contrário, Passos Coelho afirma que está a seguir a mesma linha e que vai manter o mesmo rumo. Isto conduzirá a uma situação que Portugal levará dezenas de anos a recompor que apenas será sentido, se tal for possível, quando os jovens de hoje estiverem, mais ou menos, a meio da sua vida ativa.


Ficar em casa e não ir à manifestação não é mais do que aceitar tudo o que este Governo tem feito e irá continuar ainda a fazer, por isso, vamos todos dizer BASTA!

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publicado às 11:14

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