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Ditos e escritos daqui e dali

por Manuel_AR, em 20.01.22

Ditos e escritos.png

Pelo que se escreve na imprensa, nas redes sociais e se diz nas televisões podemos ter uma visão aproximada do que se pensa ao decorrer desta campanha eleitoral. Assim, sintetizei algumas opiniões e comentários que circulam e que compus de forma coerente utilizando critérios de aproximação ou de afastamento de acordo com as minhas.

Os pontos que se seguem não são uma transcrição de citações, são as minhas opiniões expressas em coerência com os meus pontos de vista, suscetíveis, como é óbvio, de críticas.   

  1. Todos termos visto nos diferentes órgãos de a comunicação social reivindicações de organismos privados e públicos que passam pelos agricultores, comércio, indústria, saúde, justiça, etc. Acredito que estas reivindicações por mais aumentos, mais meios, mais pessoal e mais subsídios sejam justas e necessárias. Todavia, se pensarmos que ao satisfazer-se a justeza das exigências apontadas logo concluiríamos que se iria cair num descalabro financeiro do Estado com altos défices nas contas públicas e elevadas dívidas externas, conduzindo a situações idênticas ou piores às que nos trouxeram a troika. Face a isto, começo a pensar se não estarão todos desejosos que tal aconteça para justificarem uma subida ao poder da direita neoliberal que logo recorrerá, mais uma vez, a severas medidas de austeridade e outras idênticas para equilibrarem as finanças e agarrarem a oportunidade para culparem o partido do governo o causador desse descalabro. Vamos lá então ver se nos entendemos sobre o queremos para o país!

 

Maioria absolutas todos a querem.png

  1. Começo pelo que tem sido mais comentado e criticado, a maioria estável pedida pelo Partido Socialista. Entenda-se por maioria estável uma maioria absoluta e, como consequência, António Costa ser primeiro-ministro. Com António Costa numa maioria absoluta é possível conviver sem receios. O mesmo já não se poderá dizer duma maioria de direita PSD e, ainda menos, se coligado com outros partidos como por exemplo o partido da extrema-direita Chega cuja hipótese não foi convictamente afastada por Rui Rio. Lembremo-nos dos Açores.
  2. Acordos parlamentares de esquerda do PS com o BE e PCP em princípio e no meu ponto de vista são soluções a afastar devido à perda de confiança consequente da irresponsabilidade pelo chumbo do Orçamento de Estado para 2022 alinhados com a direita. Assim, só uma maioria absoluta do PS poderá evitar pressões parlamentares que aqueles partidos farão para condicionar a governação, causando instabilidade.
  3. Há por aí quem pergunte se Rui Rio fizesse tudo o que está a prometer não poderá conduzir o país a uma nova crise. A resposta é afirmativa. Como ele próprio esclareceu em vários debates tudo o que promete é condicional justificado com uma possível aproximação de uma crise que se vislumbram, pelo que reconhece a possibilidade de adiamento das promessas que será inevitável, desconhecendo-se durante quanto tempo. Ora, como se avizinha uma crise económica e social devido a contextos exteriores o pretexto para o não cumprimento das promessas tem as portas entreabertas.
  4. Outra pergunta interessante que se coloca é a de saber quem é o grande inimigo do BE e do PCP que é preciso abater? É a direita? A resposta é imediata – Não, é o PS. Interessante a resposta até porque podemos fazer uma outra pergunta: Quem é que o BE e o PCP estão a ajudar nesta campanha eleitoral? A resposta é inequívoca: são a extrema-direita e a direita PSD, claro! A extrema-direita e o PSD agradecem a ajuda do BE e do PCP. Isto já foi visto no passado quando BE e PCP provocaram a queda do governo PS dando lugar à maioria de direita.
  5. A coordenadora do Bloco de Esquerda é uma atriz extraordinária acusou André Ventura do Chega. Ao que lhe diz respeito ele saberá porquê. No meu entender, e se bem me lembro, Catarina Martins passou da extrema-esquerda antissistema, revolucionária e contestatária a mostrar-se agora com uma faceta de política sedutora e calma que se quer afirmar como cooperante. Pelo meio vai acusando outros (leia-se PS) de que se não existe mais cooperação é porque esses outros não querem, diz ela. E porquê? - Perguntam vocês. Porque em primeiro lugar gostaria de submeter o PS à execução de políticas destrutivas, em segundo lugar para caçar aqui e ali uns votinhos de alguns indecisos e de descontentes com tudo e com todos. Não podemos afirmar com convicção que Catarina Martins é falsa. Faz parte do seu número de teatro a que a obriga a caça ou à dispersão de potenciais votos no PS, com o objetivo único de evitar uma maioria absoluta do PS.
  6. O BE e o PCP pretendem que a votação no PS seja a mais baixa possível, ainda que os votos vão para a direita, desta forma terão mais margem de manobra para, no contexto da Assembleia da República, pressionar o PS para impor políticas radicais. Sem uma maioria muito significativa do PS fica-se novamente na dependência das extremas-esquerdas do BE e do PCP com as inerentes dificuldades de governação pior do que a “geringonça”, ou, então, caminha-se para o país ficar na dependência da direita.
  7. Na campanha que a esquerda anda a fazer, não tenho a certeza se foi João Oliveira do PCP, andam por aí a dizer que se a direita ganha poderão vir campanhas de contestação socia e a instabilidade. Mas que raio de ponto de vista. Os portuguese não gostam que os ameacem e, quando assim é, vão mesmo para o outro lado. PCP e BE vejam se se acalmam. Estão muito agitados por debaixo dessa calma que aparentam.
  8. Há ainda os que falam e relembram com saudosismo o tempo de Salazar, (André Ventura recuperou a matriz do modelo do regime salazarista “Deus, Pátria, Família” ao qual acrescentou “Trabalho”). O regime de então utilizava todos os meios para neutralizar e difamar quem se lhe opunha. Atualmente a extrema-direita e a direita democrática utilizam a mesma estratégia da difamação.
  9. No caso de Ventura a suas narrativas populistas e demagógicas para baralhar a população são abissais. Então André Ventura não se tem afirmado contra a quantidade e qualidade de pessoas que recebem o RSI? Pois é! Mas a última dele foi negar agora o que afirmou poucos dias antes. Vejamos a resposta que deu ontem quando um jornalista lhe fez uma pergunta sobre o número de casos de “subsidiodependência no país”, à qual respondeu baralhando, para confundir, o que disse com o que não disse: “Como é que quer que eu tenha dados concretos sobre pessoas que recebem o RSI e que não devem? É você que os tem? As pessoas só veem e sabem que é assim. Sabemos quantas pessoas recebem RSI. Não sabemos, infelizmente, quantas pessoas o recebem indevidamente”.  Podemos deduzir que André Ventura passou do ser contra o RSI para o “fiscalizar a sério”. Isto é, quer saber das quarenta e tal mil pessoas que recebem RSI para quais são as “dezenas de milhar” (?) que o recebem indevidamente. Para saber quantas pessoas recebem aquele tipo de apoios, basta consultar AQUI. O problema de Ventura é o de saber quais os que o recebem e têm Porches à porta. Por outro lado, isso da fiscalização todos os partidos, da esquerda à direita a querem! Deixemos por agora o troca tintas.
  1. Voltando a António Costa. Em 20 de setembro de 2019 a revista alemã Der Spiegel escrevia sobre a “receita” do “confiável socialista” António Costa. Considerava assim como confiável o primeiro-ministro de Portugal. A autora, Helene Zuber, escrevia então: “Ele sabe como tirar um país da crise. O primeiro-ministro de esquerda, António Costa, salvou Portugal da falência. Enquanto isso, a economia está a crescer. Agora está prestes a ser reeleito. Qual é a sua receita para o sucesso? Quando António Costa conhece pessoas olha-as diretamente no rosto e sorri. Curioso, o primeiro-ministro português aproxima-se de colegas como Angela Merkel, aperta as mãos educadamente antes da entrevista ao vivo na televisão, ouve atentamente os cidadãos que se dirigem nas ruas ao seu chefe de governo. Parece estar sempre de bom humor, com o olhar levemente irónico dos olhos escuros por trás dos óculos sem aro. O simpático governante Costa, com seu governo de minoria socialista, tolerado pelos comunistas e pelo bloco de esquerda trotskista, resistiu por quatro anos - um feito que quase ninguém esperaria que ele fizesse. Dando-lhe o epíteto de "Geringonça", a oposição zombou da aliança quando assumiu o cargo há quatro anos. Costa tem um mandato bem-sucedido”.
  2. Quanto a Rui Rio Rui ele é um político popularucho que fala para o povo entender. Sem papas na língua diz o que pensa o que às vezes o prejudica. Daria um grande propagandista de feira com receitas para todas as maleitas. Nas entrevistas e nos debates mostra-se um exímio vendedor de um qualquer produto que alguém, se não pensasse, não hesitaria em comprar. Há, todavia, um problema. É que, depois do comprador abrir o embrulho e ao acabar de verificar que o produto verificaria que estava com defeito e que a devolução do material era impossível.
  3. Próximo de eleições a direita cata casinhos e tudo o que seja desfavorável que transformam e exageram para parecerem importantes. Esmiúça tudo para desviar o vazio apresentado nas suas propostas.
  4. O que Rui Rio diz disse no passado não têm muita relevância para o atual contexto. É uma incógnita o que se irá passar se ele ganhar as eleições e se uma potencial crise se confirmar. O que ele disse em 2017, quando candidato à liderança do PSD, ao responder a uma pergunta sobre a mudança de linha de rumo do partido, caso fosse eleito, assegurou que não iria haver mudança de estratégia e deu o exemplo da ex-ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, com quem teve divergências mas que, no seu lugar, seguiria a mesma linha, e que faria "igual" ou faria “pior” do que a governante.
  5. Então dr. Rui Rio, ir para o Governo e encontrar contas certinhas era tão bom não era?

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publicado às 17:02

Eleições e indecisões.png

Os comentários que se seguem aos debates é suposto serem feitos por jornalistas credenciados e cada um com a sua orientação ideológica. A meu ver tenho constatado que a isenção e a independência, sobretudo na SIC, não são os pontos fortes dos intervenientes nos paneis de comentário.

Sou dos que considero que a comunicação social deve ter um papel relevante na critica e no escrutínio público do poder e, ao mesmo tempo, ter a liberdade de expressão e de opinião que devem ser estimuladas dentro dos limites da civilidade, da educação, da tolerância e de respeito pelo caráter de cada um.

Naquele canal televisivo os comentadores Ricardo Costa, José Gomes Ferreira e Bernardo Ferrão nos seus comentários tentam fazer passar para os telespetadores uma perceção de distanciamento ideológico, mas, para quem esteja atento aos pormenores, notará que incluem cirurgicamente pequenas "alterações”, provavelmente intencionais, ao significado ou às circunstâncias de um facto que possa sugerir algo em desabono do governo socialista e de António Costa.

Com a proximidade das eleições notam-se mais estas pequenas campanhas detratoras por via de jornalistas e comentadores. São opiniões, dirão. Certo. Mas também nos comentários sobre acontecimentos da política que se relacionem com a justiça e com a economia tiram da cartola algo do passado que introduzem no confuso emaranhado das lógicas em que se embrenham fazendo campanha e oposição partidária ao abrigo de fazer jornalismo. Não admira, têm que estar sintonizados com a “voz dos donos”. É normal.

Os jornalistas também são eleitores e terão as suas simpatias ideológicas e partidárias e alguns não as escondem, pelo que tentam fazer comentários positivos aos políticos do seu círculo ideológico-partidário e negativos para outros candidatos concorrentes colocando-os nos pratos de uma balança. Comentar desfavoravelmente a prestação de um interveniente político num debate que seja da simpatia do comentador pode favorecer o seu preferido em prejuízo do adversário.

Dou um exemplo como hipótese: quem estiver a comentar um debate entre, por exemplo, a líder do BE Catarina Martins e o líder do PSD Rui Rio poderá emitir uma opinião em que a prestação do BE foi mais bem conseguida do que a do PSD evidenciando os argumentos do BE ao fazer críticas ao PS. Assim, ao concordar com a crítica feita pelo BE ao PS potencialmente posso estar a condicionar pela negativa potenciais eleitores do PS que irão para o BE já que é pouco provável que haja eleitores do BE que irão votar PSD mesmo considerando a critica feita ao PS. Mas, pelo contrário, é mais provável que estes mesmos possam votar no PSD.

Como é possível em debates como os que temos visto entrar com pormenores que podem ser tecnicamente relevantes, mas que só contribuem para ruído e compressão da mensagem. Quanto a avaliações, tenham paciência! Catem também as falhas de pormenor nas narrativas de Rui Rio.

A obtenção de mais votos e, consequentemente, de deputados é, em quaisquer eleições, o grande objetivo dos partidos. Para as eleições que se irão realizar em 30 de janeiro há um outro objetivo que se apresenta: o do BE e do PCP é retirar votos ao PS para evitar que este tenha uma maioria absoluta.  Para a direita, no caso do PSD, o objetivo é o de conseguir mais votos alguns retirados ao PS.

Para os liberais de direita e para os extremistas de direita o objetivo é arrecadar mais votos, logo conseguir mais deputados, venham eles donde vierem, para que possam exercer pressão sobre o PSD para negociações pós-eleitorais. Para os partidos à esquerda do PS, chamados de extrema-esquerda, o objetivo é a obtenção de números de votos para pressionarem o PS a uma nova negociação.

Por entre estas competições para a obtenção de votos há também obsessões. A de Rui Rio, de Catarina Martins, marioneta do ideológico trotskista Francisco Louçã, do troca-tintas de André Ventura do Chega é o reconhecimento, mas que não dizem, de que António Costa é um político inteligente e competente que receiam e, por isso, jogam tudo para afastá-lo. É a pessoa de António Costa que é o político, o primeiro-ministro, o secretário-geral do PS e o defensor da democracia e do socialismo liberal constitucional que pretendem afastar.

O BE espera que, com o afastamento de António Costa, possa surgir um novo líder do PS como Pedro Nuno dos Santos que ceda ao BE e ao PCP e constitua uma nova geringonça caso a direita ganhe sem maioria, ou o PS perca as eleições. Só uma maioria absoluta do PS poderá ter a capacidade para afastar essa possibilidade.

O que todos temem por motivos diferentes, mas sobretudo o PCP e o BE, é que o PS liderado por António Costa possa conquistar uma maioria absoluta de deputados nas próximas eleições, que lhes tiraria a possibilidade de limitar e bloquear decisões fundamentais e a continuação de uma governabilidade estável do país para quatro anos.

No campo meramente de competição, para Rui Rio, António Costa é uma obstrução na engrenagem que o poderá elevar até ao poder. Está a ficar mais claro que para Rui Rio chegar ao poder precisa dos votos que possam vir de quem votou anteriormente PS e das franjas da direita que saiam das eleições para poder contar com uma maioria parlamentar, não negando em absoluto a possibilidade de também contar com os deputados do Chega.

No momento em que escrevo uma das últimas sondagens dá uma maioria de esquerda com algumas possíveis nuances. Segundo esta sondagem feita para o jornal Público, RTP e Antena 1 o PS conseguirá obter um mínimo de 104 deputados e um máximo de 113, neste caso a três lugares da maioria absoluta no Parlamento e podendo fazer negociações parlamentares com o PAN e o Livre, como defende Rui Tavares. Mesmo no cenário dos 104 deputados continua a existir uma maioria de esquerda com o BE, CDU, Livre (elege um deputado em qualquer dos cenários) e o PAN. Assim, a direita cresce, mas não ganha. O PSD em caso algum consegue uma maioria de direita para governar – nem no cenário mais otimista, nem mesmo com quatro deputados do PAN. Se assim acontecer Rui Rio vai confrontar-se, mais uma vez, com a oposição dentro do partido.

Mais do que uma maioria do PS é mais de temer uma maioria absoluta do PSD. Rui Rio apesar de se dizer do centro facilmente irá infletir para a direita por pressão da ala mais à direita do partido. Só PS ao conseguir uma maioria confortável nas eleições se pode libertar-se do jugo do PCP e, sobretudo, do BE ao mesmo tempo que poderá também influenciar Rui Rio a manter um rumo diferente. Note-se que para o caso duma revisão constitucional serão necessários dois terços de votos dos deputados.

O que Rui Rio propõe é uma espécie de continuação do modelo social que o governo de Coelho/Portas estabeleceu de 2011 a 2015, mas numa versão mais light.

Pode ser uma versão menos radical, mas, do mesmo modo, pelo que tem vindo a reclamar de modo mais ou menos astucioso é um modelo baseado na redução de impostos às empresas, de salários, do Estado Social, da tendência para a privatização da Saúde, da Educação, Segurança Social, etc., e tudo o mais que a fação mais neoliberal do PSD irá impor a Rui Rio que irá originar o agravamento das condições económicas, financeiras e sociais que se conhecem até que, segundo o próprio, haja crescimento económico. Podemos até concordar com alguns pontos mas o modelo que apresenta pode ser ajustado à realidade portuguesa e de com uma progressão e ritmo adequados seguindo uma outra via.

Tudo isto apesar de, em termos pessoais, apreciar a atitude de Rui Rio como político franco, aberto, por vezes realista, mas outras vezes demagogo e cheio de condicionais “ses”, que capta simpatias, que pretende ser do centro e não de direita, mas lá vai piscando o olho à direita e ao votantes do centro-esquerda verdadeiro partido social-democrata que é o PS em termos de comparação europeia como o Grupo do Partido Popular Europeu a que pertence o PSD e Grupo da Aliança Progressista dos Socialistas e Sociais Democratas Parlamento Europeu a que pertence o PS.

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publicado às 19:18

Os trajes e os “ses” de Rui Rio

por Manuel_AR, em 14.01.22

Rui Rio e os seus trajes.png

Do debate entre António Costa e Rui Rio tirei duas conclusões, a primeira é que Rui Rio veste dois fatos conforme lhe dá mais jeito. Um dos fatos é o do político social-democrata que diz querer ocupar o centro político, é o fato com corte ajustado ao que diz ser o seu ideário. No debate de ontem vestiu outro fato cujo corte mal-amanhado pelo alfaiate que lhe deixou a aba e a manga do casaco demasiado descaídas para o lado direito.

Baralhou-se e baralhou quem o escutou. Quando António Costa disse que se demitiria se ficar em segundo, Rui Rio para assustar o povo especula que com Pedro Nuno Santos, como seu sucessor, a “geringonça” pode ser reativada. Qual foi o objetivo de Rio? Será concentrar os votos em Costa? Tal lógica de Rui Rio a partir das palavras de Costa não se percebe.

A maneira frontal de Rui Rio debater e tentar esclarecer complicou a análise das suas soluções para o país que poderá ter levado a que parte de quem o viu e ouviu estivesse menos preparada para compreender os aspetos técnicos das opções que tomaria para baixar impostos, para não atualizar salários, para privatizar a TAP e parte do Serviço Nacional de Saúde. Sobre alterações na justiça não soube explicar ao cidadão comum que não era uma forma subtil com que pretende controlar os juízes, ao propor a nomeação de portugueses idóneos (?!!) para ir para o Conselho Superior do Ministério Público ou da Magistratura. Porventura será algo idêntico ao que está a acontecer com a Polónia e a Hungria que ameaçam "valores fundamentais" da União Europeia, como a independência do poder judicial e a defesa do Estado de direito. Para Rui Rio tudo foi um pouco atabalhoado e cujos resultados são duvidosos quer na sua eficácia, quer nas vantagens, se aplicados.

A segunda conclusão que tirei é no domínio do “Se”, como no caso da baixa do IRC e IRS, do crescimento económico. A primeira é que, no que se refere à economia as empresas terão logo baixa no IRC para a economia crescer tudo o resto se verá ou adiará. É fácil resolver problemas assim.

Por entre outras soluções tiradas da cartola para resolver os problemas do país que tenciona aplicá-las se as atuais circunstâncias se mantiverem. Está a aproximar-se uma crise, consequência da pandemia C-19, com o aumento das energias, a inflação, aumento das taxas de juro, etc., daí que é muito fácil prometer apenas e se tudo se mantiver como está. Mas as incertezas são várias nada pode estar garantido, por isso Rui Rio ter-se mantido numa atitude de “Se”…

Em quase tudo o que disse Rui Rio a vestimenta que apresentou com abas e mangas descaídas para a direita são o modelo light do neoliberalismo do último governo PSD-CDS com a diferença de que um desculpou-se com a crise financeira e com a troika e Rui Rio irá, se ganhar as eleições, desculpar-se com a crise energética, aumento das matérias-primas, crise económica e aumento das taxas de juro. Com Rui Rio é tudo no domínio do se.  Nada está garantido se ganhar e for da responsabilidade dele o novo orçamento que, segundo ele será apenas para sei meses a contar da data da eventual aprovação.

Estas são as conclusões que tirei e que me interessam para tomar uma decisão sobre o meu sentido de voto. O que está implícito no modelo que Rui Rio apresenta é para os cidadãos esperarem dois ou mais anos, dependendo de que a economia melhor, depois, quanto aos impostos, logo se verá. Mais um “Se”.

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publicado às 17:32

 

FALSO

Na rubrica Prova de Factos do jornal Público fica demonstrada a falsidade com que André Ventura tenta convencer potencias adeptos com uma espécie de rasca discussão futebolística. Assim, com a devida permissão que deveria ter e ao mesmo tempo com o pedido de desculpas ao Jornal transcrevo na integra o artigo de

Marta Martinho Oliveira, in jornal Público, 10 de Janeiro de 2022

A despesa com RSI é mais do que um terço de todos os salários da Administração Pública?

No debate com João Cotrim de Figueiredo, André Ventura disse que o gasto com RSI é “extraordinariamente elevado” e estabeleceu uma relação entre a despesa com este apoio social e o gasto com salários.

A frase

"Temos hoje um valor de Rendimento Social de Inserção (RSI) extraordinariamente elevado. Estamos a falar de mais de 300 milhões por ano. Só para as pessoas terem uma ideia é um terço, é um bocadinho mais do que um terço de todos os salários da Administração Pública.”

André Ventura, no frente-a-frente com João Cotrim de Figueiredo, domingo à noite na CNN Portugal

O contexto

No frente-a-frente, o líder do Chega foi desafiado a explicar um dos temas mais marcantes do programa eleitoral do partido e que passa pela ideia de reduzir subsídios para aumentar pensões. Um dos apoios sociais sobre o qual Ventura tem uma posição mais crítica é o RSI, que é pago pela Segurança Social a pessoas em situação de pobreza extrema. Ventura criticou a posição da Iniciativa Liberal sobre esta questão e defendeu que o país não pode “continuar a ter a bandalheira que tem nos apoios sociais”.

Os factos

De acordo com a proposta de Orçamento do Estado para 2022, que foi chumbada no Parlamento, o Governo esperava gastar até ao final do ano passado 364 milhões de euros com RSI e previa gastar 377 milhões de euros este ano. Também de acordo com o mesmo documento, a despesa com todos os salários da Administração Pública deveria ter chegado a 23.277 milhões de euros em 2021, aumentando para 24.285 milhões de euros em 2022.

Segundo dados da Segurança Social, em Novembro de 2021, o último mês para o qual há dados disponíveis, havia 97.700 famílias abrangidas pelo RSI, que incluíam 206.879 pessoas, das quais um terço (67.185) eram crianças e jovens até aos 17 anos A prestação média por cada agregado familiar apoiado foi nesse mês de 261 euros.

Em resumo

A afirmação de André Ventura é falsa. Um terço de todos os salários da Administração Pública é 7759 milhões de euros (em 2021) ou 8095 milhões de euros (usando como referência os dados de 2022). A relação certa seria: o que é gasto num ano em RSI – os tais mais de 300 milhões de euros – corresponde grosso modo a cerca de um terço do aumento de despesa com salários de toda a Administração Pública, entre 2021 e 2022, e não do total gasto com remunerações.

Falso

 

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publicado às 18:00

 

  

Será a censura que incomoda Pacheco Pereira? | Nota da Direcção | PÚBLICO

O que revelam os debates

A racionalidade não abunda, porque coreografias e encenações, com truques habituais para gerar atrapalhação no outro e sound bites na comunicação social, são a matéria-prima dos debates.

José Pacheco Pereira num artigo de opinião publicado no jornal Públicode faz uma análise dos debates que, de certo modo, coincidem com os meus pontos de vista enquanto telespectador atento.

Os intervenientes nos debates partidários, assim como os comentadores que se lhes seguem, preocupam-se mais com pontos de vista efémeros do que com a verdade e a isenção, sobre assuntos muitas vezes longe das suas áreas de competência profissional. São uma espécie de relatores do que se viu, mas, de acordo com a sua idiossincrasia ideológica e partidária avaliam positivamente os intervenientes que mais dela se aproxima podendo assim influenciar o público o sentido de voto.

O que revelam os debates

(José Pacheco Pereira, in jornal Público, 08/01/2022)

A racionalidade não abunda, porque coreografias e encenações, com truques habituais para gerar atrapalhação no outro e sound bites na comunicação social, são a matéria-prima dos debates.

Numa campanha eleitoral que se passa quase exclusivamente na comunicação social, os debates televisivos, mais de 30, acabam por ter mais importância do que se fossem mitigados por eventos de campanha, que a pandemia hoje não permite. (*) Já escrevi e repito, apesar da fúria de alguns jornalistas e gente de agências de comunicação que precisa de os bajular: uma campanha eleitoral totalmente dependente da comunicação social abre caminho a perversidades. Não se trata de mediação, que é suposto ser uma função fundamental da comunicação social, trata-se de opinião, de manipulação, de parti-pris, simpatias e antipatias escondidos sob a intangibilidade da condição profissional. Não é preciso ir mais longe do que a recente campanha interna no PSD em que a maioria dos jornalistas e órgãos de comunicação social fez campanha por Paulo Rangel e contra Rio. A coisa foi tão evidente que não é preciso dar exemplos, mas, se for preciso, abundam.

Os debates, quando não têm um interlocutor suplementar que interfere de forma agressiva no debate, prejudicando-o (como se passou em debates da SIC em que parecia que havia um terceiro participante na campanha), na parte em que há um genuíno frente-a-frente são reveladores e podem ter um papel na opinião traduzida no voto. Eles revelam, em primeiro lugar, as qualidades e defeitos pessoais dos antagonistas, traços de carácter por detrás da encenação, o que sabem ou não sabem, a inteligência, a capacidade de clareza, a riqueza vocabular, a cultura política ou a sua ausência, a experiência e aquilo a que os sociólogos chamam background assumptions, as ideias, preconceitos, gostos, que estão por detrás do discurso público. Nisto os debates são razoavelmente eficazes, e a logomaquia dos comentários posteriores pode ser útil na sua revelação e escrutínio.


É, no entanto, verdade que essa torrente de comentários, mesmo os melhores - porque muitos não têm pés nem cabeça e resultam em “notas” absurdas para mostrar como são originais os “professores” ou são exercícios de La Palisse –, se tornam em grande parte desnecessários porque os espectadores apreendem com facilidade este aspecto da comunicação, que é empático e por isso imediatamente transmissível. Por exemplo, a frieza de Catarina Martins e Rui Tavares, o cansaço de Jerónimo, a habilidade de Costa, os labirintos em que se enreda Rio, a agressividade monocórdica de Ventura, tudo isto se percebe de imediato, seja quais forem as simpatias que se tenha por cada um deles.

Depois, há um outro nível, que é o da racionalidade, normalmente num exercício de “revelação” do outro, em que o grande e o único exemplo foi o de Rui Tavares face a Ventura. Mas a racionalidade não abunda, porque coreografias e encenações, com truques habituais para gerar atrapalhação no outro e sound bites na comunicação social, são a matéria-prima dos debates. Quando Cotrim de Figueiredo disse que o Bloco de Esquerda era o “Bloqueio de Esquerda”, designação trazida no bolso de casa, acabou por conseguir que ela fosse repetida nos títulos comunicacionais – porque era para isso que tinha sido preparada –, mas por outro lado mostrava que nada mais do que dissera valia a pena repetir.

Ventura, que foi a personagem-chave nos primeiros debates pelo estilo agressivo, pareceu dominar, mas esse aparente domínio revelou algo que lhe é prejudicial, a repetição de acusações, invectivas, afirmações de peito cheio, mas de cabeça vazia, vai perdendo eficácia à medida que os debates com ele são sempre a mesma coisa. O seu único sucesso foi com Rio, que ele enredou em directo, com todos os outros ficou a falar sozinho, sem ter nada para dizer. Também aqui o debate mais conseguido foi o de Rui Tavares.

Aquilo para que os debates pouco servem é para discutir propostas ou programas de governação, com o tempo curto de mais para pensar e discutir a sério. Numa atitude hipócrita, a comunicação social está sempre a queixar-se de que não se discutem os “problemas dos portugueses”, porém aceita um modelo que impede qualquer discussão, mas que é bastante para o espectáculo, para os truques e armadilhas preparados. A rigidez da legislação eleitoral tem também um papel, ao multiplicar de forma absurda o número de debates para assegurar artificialmente a igualdade das candidaturas.

Há também um outro aspecto que é negativo nos debates tal como estes se têm desenvolvido. A obsessão de os transformar em combates, que é comunicacionalmente mais atractivo, impede que se tracem as “linhas vermelhas” com propostas antidemocráticas que o crescendo populista está a colocar em cima da mesa. Ora o populismo é a grande novidade na vida política portuguesa.

Não adianta chamar fascista a Ventura, que não o é, mas sim um extremista de direita, que já basta como epíteto e é mais correcto, mas já se ganhava alguma coisa se ele fosse confrontado com as suas propostas antidemocráticas que ele debita como se fossem “normais”. Um exemplo é a de “cortar” os lugares de “políticos” pela metade, ou a de cortar os salários dos deputados para metade, que parecem populares, mas que são intrinsecamente antidemocráticas. Alguém lhe explica que nos milhares de lugares “políticos”, nas autarquias, por exemplo, a esmagadora maioria não são remunerados, mas o sinal de uma dedicação à causa pública, ou uma democratização da participação popular? Ou que a demagogia sobre os salários dos políticos, conduz a que haja apenas candidatos desqualificados para quem qualquer salário é bom, ou lobistas ricos com rendimentos que não precisam de ganhar um tostão para beneficiar do acesso ao poder? Ou pura e simplesmente dizer-lhe que numa democracia há o primado da lei, e que as garantias de defesa e do ónus da prova são para todos, assassinos e corruptos incluídos. E que penalizar os “crimes de colarinho branco” com o dobro das penas dos assassinos é uma perversão da justiça, por muito que os seus apoiantes salivem com os “casos” de corrupção e se revelem indiferentes aos crimes de ódio. Em tudo isto e muito mais, tem havido falta de coragem para confrontá-lo, porque estas posições só são populares quando não se combatem com a intransigência da democracia.

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publicado às 18:31

Debates com orangotangos.png

Li hoje um artigo de opinião no jornal Público que me pareceu ao mesmo tempo sério e com algum humor pesando, contudo, que há pontos com que não concordei. Mas isso é outra dança.

Permitam-me, previamente, esclarecer os leitores que não tenho quaisquer simpatias ideológicas nem com a opositora Catarina Martins, parte interveniente no debate, nem com o seu partido.

Há intervenientes nos debates que se comportam e exprimem como orangotangos. Isto é uma caricatura e não um ataque pessoal, nem ao caráter, mas à forma que essa gente utiliza nos debates. Também Trump nos debates com Biden se comportou como um orangotango, compara a autora do artigo.

Sei que muitos outros orangotangos, fiéis subservientes do orangotango mor, não concordarão comigo, mas ficamos quites, também não concordo mesmo nada com eles, se concordasse também pertenceria ao grupo dos ditos.

Há quem aprecie e valorize intervenientes nos debates políticos em que, à falta de projetos objetivos, e de argumentos credíveis e fundamentados, servem-se de grunhisses para fazer passar as suas mensagens. Mas, “Debater com demagogos populistas, sem educação, maneiras ou escrúpulos, que querem precisamente não debater, não é fácil”, tal como não seria fácil debater com um orangotango.

Posto isto incluo o artigo que fará os tais fiéis adeptos de peixeiradas vibrar de raiva e de ódio, único sentimento que lhes assiste. Mas também reconheço que no intervalo dos grunhidos alguma coisa, mas muito pouca, poderá ser percetível. Mas, enfim, há gente para gostar de tudo e, como diz o ditado cada cabeça sua sentença, e esta é a minha.

 

Quero alguém que saiba debater com o demagogo sem maneiras

(Maria João Marques, in jornal Público, 05/01/2022)

Nestas legislativas teremos pouca campanha de rua, à conta da quinta vaga de uma pandemia que anda por aí. Donde, os debates entre candidatos são úteis – essenciais mesmo – para passar mensagens, diferenciar projetos políticos, confrontar ideias, arrebatar eleitores. Porém, desta feita, temos uma novidade: o líder do Chega, repetindo a estratégia das presidenciais. A saber: estragar os debates em que participa.

Dos dois debates que vi com André Ventura, este portou-se como aquele miúdo parvo e abusador que vê um colega no recreio a desenhar e vai lá e risca a folha e o desenho todo. Há quem julgue esta estratégia vencedora. Não é. Os eleitores veem só o miúdo parvo, nenhum génio político. Tirando o pequeno nicho que se deleita com políticos comportando-se como orangotangos (sem ofensa para os orangotangos), os restantes veem à légua a fanfarronice de fazer muito barulho para, precisamente, não debater. O objetivo é pôr-se de fora e boicotar uma característica do regime que alegadamente pretendem destruir: os debates (mais ou menos esclarecedores) antes de cada eleição.

Claro que a estratégia não é nova, nem foi inventada por Ventura, político que de resto não tem muita criatividade própria e vai buscar quer o conteúdo quer a forma aos seus superiores – copia o já desaparecido Trump e defende obedientemente o que lhe mandam os seus financiadores. Trump, no primeiro debate com Biden para as presidenciais de 2020, também transformou o exercício numa gritaria a que a comentadora Dana Bash famosamente chamou shitshow. Nessa altura também houve quem garantisse que os urros de Trump ganharam a um aparentemente frágil Biden. Não percebem que estes produtos políticos como Trump e Ventura se derrotam a si próprios nos debates (e na política em geral).

Em todo o caso, se Ventura e Trump se arrumam a si próprios pelo nojo e desprezo que geram na maioria, o certo é que os parceiros de debate também ficam com o desenho todo riscado. Foi o que aconteceu a Catarina Martins e a Rui Rio. Em ambos, quem determinou os temas dos debates foi Ventura – ao lançar as suas atoardas, dislates, mentiras, ataques pessoais (estes só para Catarina Martins, que é mulher, e os homens como Ventura sentem-se importantes quando atacam mulheres; já com Rio, o desejado futuro chefe, convinha não atacar pessoalmente; e os homens como Ventura também usualmente têm medo de atacar outros homens). As duas contrapartes aceitaram passivamente responder a tudo o que Ventura lançava para o debate, por mais alucinado que fosse. Ao invés de debates, tivemos uma espécie de entrevistas hostis de Ventura aos seus oponentes. Foi penoso.

Catarina Martins lá marcou o seu ponto aqui e ali. Falou da ambiguidade do Chega nos “vistos gold” e offshores. Lembrou que a maioria dos que recebem apoios sociais são mulheres pobres e crianças; e reputou de “cruel” a atuação do Chega nos Açores ao cortar estas ajudas. Se esteve bem em não descer ao nível subterrâneo de Ventura, é incompreensível não ter ripostado (perante as várias acusações de ter faltado a votações) que Ventura está no pódio dos deputados faltosos. Foi insuportável como permitiu ser interrompida constantemente, em pose de carneiro sacrificial, ao invés de lhe dirigir um imperioso “não me interrompa”. Tendo em conta o fenómeno estudado de mulheres permanentemente interrompidas em reuniões (e debates), é intolerável ver tal coisa replicada sem resposta na televisão. A moderadora (e bem) repreendeu Ventura, mas Catarina Martins perdeu a oportunidade de dar uma de Kamala Harris com o seu “I’m speaking” quando Mike Pence a interrompia no debate dos vice-presidentes.

Rui Rio foi ainda mais surpreendente. Se rejeitou acordos e coligações, deu o exemplo do errático Chega nos Açores, mencionou que votar no Chega em vez de no PSD era ajudar à vitória do PS, no resto do tempo foi outro cordeirinho respondendo àquilo que Ventura exigia. E assim tivemos um líder da oposição, candidato a primeiro-ministro, com possibilidades de ganhar as eleições, falando de temas inúteis como a diminuição do número de deputados (temos um número de deputados perfeitamente adequado ao tamanho da população comparativamente às outras democracias europeias) ou indo mesmo, todo contente, para assuntos perigosos como os abusos dos apoios sociais (isto vindo do partido que votou para criar apoios sociais para acudir a vários grupos afetados pela pandemia, numa coligação negativa contra o Governo) ou prisão perpétua.

Das duas, uma. Ou Rui Rio estava com grande vontade de irritar o eleitorado centrista que lhe pode ganhar as legislativas, tudo para ir buscar meia dúzia de votos aos simpatizantes da extrema-direita; ou está bastante confundido, julgando que os problemas mais importantes do país são a quantidade de deputados, a inexistência de prisão perpétua, os abusos das migalhas do RSI e quejandos. Incompreensível como Rio, lá pelo meio do debate, não disse que julgava mais útil debater economia, alterações climáticas (dois temas que lhe são caros), como remendar o SNS, aplicação dos fundos de recuperação pós-covid, enfim, os assuntos que de facto têm influência na vida das pessoas. Para explicar as suas ideias. E para evidenciar que nestas áreas Ventura fica sem ter que dizer.

Nenhum atirou a Ventura que discussões securitárias são pouco relevantes num dos países mais seguros do mundo. Que a corrupção não se combate com medidas histriónicas de faz de conta como a duplicação do tempo das penas – porque o problema não é a duração destas mas praticamente não existirem acusações nem condenações por corrupção (seja qual for a pena). As campanhas milionárias onde o Chega desbarata dinheiro como se não houvesse amanhã. Um largo etc. Não. Passou sem escrutínio.

Debater com demagogos populistas, sem educação, maneiras ou escrúpulos, que querem precisamente não debater, não é fácil. Concedo. De todo o modo, os que debatem com Ventura ou se preparam para não deixar a conversa enredar-se nos temas de estimação do Chega, e atacam as muitas fragilidades de Ventura, ou mais vale seguirem o exemplo do PCP. Ventura é um político risível, cheio de vulnerabilidades a que se pode atirar, o único talento que tem é para a histeria, foi ao tapete em vários debates nas presidenciais. O problema nem é Ventura ganhar votos com os debates, que não ganha. Mas os outros perderem eleitores à conta da falta de habilidade.

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publicado às 18:01

A queda de governo e os votos de esquerda.png

Incluo um texto de opinião publicado no jornal Público que justifica o pedido de votos para uma maioria de esquerda que teoricamente subscrevo quanto a partes do seu conteúdo, embora com muitas reservas. O texto em alguns pontos revela alguma demagogia e pretende ser um manifesto de colagem ao pensamento ideológico do BE e do PCP e em alguns dos seus argumentos.

Sou por uma maioria confortável do centro-esquerda e, caso essa impossibilidade, sou por alguns acordos de incidência parlamentar com partidos do centro-direita como o PSD se liderado como até agora por Rui Rio, mas que nada tenha a ver com aquilo a que pretendem chamar bloco central.

A experiência final de acordos com o BE e o PCP foram traumatizantes perturbadores da estabilidade. Estes dois partidos, como alguém já a firmou há algum tempo não são confiáveis devido às suas características de algum extremismo e historicamente revolucionárias que, por obrigação imposta pelas circunstâncias, se foram ajustando às regras democráticas com alguma contrariedade.

Em caso de emergência económica e financeira tendo em vista o crescimento não são partidos com que se possa contar. A sua posição de combate frontal a tudo quanto seja do domínio privado é prejudicial ao país. Pretendem o crescimento descontrolado da função pública por ser aí onde poderão angariar seguidores para sindicatos, greve e manifestações de contestação criando instabilidade social e, consequentemente, instabilidade política. As suas origens ideológicas apontam para um coletivismo que são fonte de imobilismo económico e social.

Todavia não se lhes pode tirar razão quando defendem um Serviço Nacional de Saúde público e universal, os direitos do trabalho, a escola e a universidade públicas, assim como a produção cultural e a defesa da preservação do planeta.

Ao longo das legislaturas não tem sido raro que aqueles partidos se juntem à direita em coligações parlamentares negativas apenas como oposição ao seu principal rival que, espante-se, não é a direita, mas o Partido Socialista, prejudicando assim o país e os trabalhores que dizem defender.

Por isso, embora pesando a honestidade intelectual e política dos signatários da carta, não defendo convergências com os partidos BE e PCP que contribuíram para o derrube de um Governo a meio de uma legislatura e que pretendem, agora, dar o dito pelo não dito para evitarem uma esperada queda de votos que milhares de portugueses não lhes irão dar.  

Votos por uma maioria plural de esquerda

(in jornal Público, 04/01/2022)

Em 2015, os entendimentos à esquerda permitiram reverter medidas socialmente injustas e economicamente contraproducentes impostas pela troika e pelo Governo de direita. Mostraram também que foi possível fazer convergências à esquerda em torno de objetivos concretos, mesmo no quadro de constrangimentos europeus que continuam a limitar o alcance das mudanças. A longevidade da solução política então encontrada superou todas as expectativas iniciais.

Os signatários desta carta, que apoiaram desde a primeira hora as convergências à esquerda, entendem que a devolução do voto aos cidadãos, no atual contexto, não tem de ser um drama. Pode e deve ser uma oportunidade de clarificação sobre o projeto de desenvolvimento para o país.

Apesar de não termos militância partidária, entendemos que os progressos políticos verificados desde 2015, mesmo quando insuficientes, não teriam sido possíveis sem o empenho do BE, do PCP e do PEV, no quadro de uma maioria parlamentar de esquerda com o PS. Sem prejuízo do balanço diferenciado que fazemos das razões que levaram à interrupção da legislatura, sabemos que a concretização de uma agenda socioeconómica mais ambiciosa é uma tarefa que o PS, sozinho, não poderá cumprir.

Defendemos um Serviço Nacional de Saúde público e universal, que valorize os seus profissionais, travando assim a crise que a pandemia acelerou. Defendemos os direitos do trabalho, revertendo as leis laborais do tempo da troika, recusando que a evolução da economia nacional seja baseada nos baixos salários e na precariedade. Defendemos uma política de habitação pública que responda à especulação que expulsa jovens, pobres e a classe média dos centros das cidades e promove a segregação social e racial. Defendemos a escola e a universidade públicas, assim como a produção cultural e o respeito pelos seus profissionais. Defendemos a preservação do planeta, recusando encarar a urgência climática como uma oportunidade de negócios.

Sabemos, porque quase meio século de democracia nos ensinou, que isto só é possível se garantirmos e reforçarmos a diversidade e pluralidade do campo da esquerda. Sabemos, porque 2015 nos ensinou, que todos os deputados que elegemos contam e que o próximo governo será formado pela conjugação da vontade das diversas forças parlamentares, independentemente de qual venha a ser o partido mais votado. E sabemos que a reedição, formal ou informal, do bloco central só pode ser evitada se as esquerdas parlamentares saírem reforçadas.

O nosso apelo é que o dia 30 de janeiro sirva para promover uma maioria plural de esquerda. A mesma pluralidade que impediu o aprofundamento do retrocesso social que a troika e o Governo de direita quiseram impor. A mesma pluralidade que permitiu avançar com medidas para a justiça social e económica neste país. Seja qual for o futuro, só essa pluralidade pode construir o diálogo, a alternativa e a resistência. Sem ela, a esquerda derrota-se. Com pluralidade, a agenda de esquerda para um desenvolvimento mais justo e sustentável de Portugal sairá reforçada.

Os 100 subscritores:

Abílio Hernandez (professor universitário); Alberto Melo (professor); Álvaro Siza Vieira (arquiteto); Américo Monteiro Oliveira (membro da CE CGTP-IN); Ana Benavente (socióloga); Ana Cordeiro Santos (investigadora); Ana Costa (professora universitária); Ana Drago (socióloga); Ana Ferreira (investigadora); Ana Luísa Amaral (poetisa); Ana Petronilho (investigadora); André Carmo (professor universitário e sindicalista); António Pinho Vargas (compositor); Artur Cristóvão (professor universitário); Bárbara Bulhosa (editora); Bernardino Aranda (livreiro); Boaventura Sousa Santos (professor universitário); Carlos Seixas (programador); Carlos Vargas (jornalista); Carmo Afonso (advogada); Constança Cunha e Sá (jornalista); Cláudio Torres (arqueólogo); Daniel Oliveira (jornalista); Diogo Martins (economista); Domingos Lopes (advogado); Elisabete Moreira (professora); Fátima Sá (professora universitária); Fernanda Rodrigues (assistente social); Fernando Nunes da Silva (professor universitário); Fernando Paulouro das Neves (jornalista e escritor); Francisco Bethencourt (professor universitário); Gabriela Moita (psicóloga); Gonçalo Leite Velho (professor ensino superior); Guadalupe Simões (enfermeira e sindicalista); Henrique Barros (médico de saúde pública); Henrique Sousa (investigador social); Isabel do Carmo (médica); Isabel Lindim (jornalista); Ivan Dias (produtor); Joana Craveiro (encenadora e dramaturga); João Fazenda (ilustrador); João Leal (professor universitário); João Leal Amado (professor universitário); João M. Almeida (quadro superior); João Rodrigues (professor universitário); José António Bandeirinha (professor universitário); José Aranda da Silva (ex-bastonário da Ordem dos Farmacêuticos); José Carlos Martins (enfermeiro e membro da CE CGTP-IN); José Feliciano Costa (professor e sindicalista); José Luís Peixoto (escritor); José Maria Silva (dirigente associativo); José Neves (professor universitário); José Reis (professor universitário); José Vítor Malheiros (consultor); Lúcia Amante (professora universitária); Luís Miguel Correia (realizador); Magda Henriques (programadora cultural e professora); Manuel Correia Fernandes (arquiteto); Manuel João Ramos (professor universitário); Manuel Lisboa (sociólogo); Manuel Morais (agente principal unidade especial de polícia e antropólogo); Manuel San-Payo (artista plástico); Manuela Barreto Nunes (bibliotecária); Manuela Mendonça (professora e sindicalista); Manuela Ribeiro Sanches (professora universitária); Manuela Silva (médica); Margarida Santos (investigadora social); Maria Augusta Sousa (enfermeira); Maria Irene Ramalho (professora universitária); Maria José Espinheira (administrativa ); Mário de Carvalho (escritor); Mário Laginha (músico); Marta Delgado Martins (advogada); Marta Lança (jornalista e tradutora); Miguel Gonçalves Mendes (realizador); Miguel Real (escritor); Nuno Serra (geógrafo); Nuno Teles (professor universitário); Patrícia Bastos (professora universitária); Paula Cabeçadas (ativista política); Paulo Pedroso (sociólogo); Pedro Abrunhosa (músico); Pedro Estêvão (sindicalista e investigador); Pedro Messias (sindicalista e bancário); Pedro Vieira (escritor); Pilar del Rio (jornalista); Ricardo Paes Mamede (professor universitário); Rogério Moreira (gestor); Rui Bebiano (professor universitário); Rui Graça Feijó (investigador); Sérgio Antunes (arquiteto); Sérgio Tréfaut (realizador); Tatiana Salem Levy (escritora); Teresa Beleza (professora universitária); Teresa Dias Coelho (artista plástica); Teresa Villaverde (cineasta); Tiago Rodrigues (encenador); Ulisses Garrido (sindicalista); Victor Louro (engenheiro silvicultor); Vitorino Salomé (músico).

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publicado às 19:41

 

 

Votos de FELIZ ANO NOVO para todos

 

Imagens de Feliz Ano Novo 2022 | Imagens de Saudações de Ano Novo

 

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publicado às 22:07

A justiça do bom e do mau. E a do vilão?

por Manuel_AR, em 19.12.21

Juiz bom e mau.png

Sou, por natureza, desconfiado em relação às boas intenções dos artigos de opiniões que se publicam na imprensa que pretendem demonstrar isenção, mas que, afinal, são apenas isso, opiniões e, cada opinião sua sentença.

Também sou cético em relação aos comentários que se fazem sobre a atualidade política e, por isso, também aceito que achem o mesmo das opiniões e dos comentários que escrevo.  Uma opinião está imbuída de pontos de vista onde a falta de isenção e o sectarismo são facilmente constatados nos textos de quem os escreve.

Vem isto a propósito do artigo de opinião de João Miguel Tavares no jornal Público com o epíteto “Coitado do Manuel Pinho? Não. Coitados de nós.” Quanto ao título estou de acordo, já o mesmo não digo de outras partes do artigo que me pareceram serem tendenciosas.

Antes de continuar convém esclarecer que sou um “tipo” que detesto falcatruas, oportunismos, aproveitamentos, vigarices, trafulhices, branqueamento de capitais, aproveitamento de outros e do próprio Estado para enriquecer e viver à grande, fraude fiscal e fuga aos impostos, enquanto nós os pagamos com grandes sacrifícios. Abomino quem “sacou e saca” poupanças dos clientes dos bancos, “chicos-espertos” que se servem da política para obterem dividendos com negociatas onde perpassa a corrupção passiva e ativa, pagando e recebendo subornos, os que recorrem ao assassinato, se necessário, para evitar revelações sobre transferência de dinheiros, (como este, felizmente poucos), e por aí fora.

Mas não fico por aqui, detesto o arrastar do tempo anos e anos para que se faça justiça utilizando os mais diversos truques à disposição e as mais diversas justificações mais ou menos objetivas porque a lei as permite. São os megaprocessos, são as esperas de respostas de instâncias internacionais a quem foram requeridas informações, etc., etc., são os sucessivos pedidos de recurso sobre penas aplicadas e as prescrições derivadas por ultrapassados tempos legais dos processos. Mas isto é matéria para juristas analisarem. Falta de recursos, falta de material, processos difíceis de gerir por volumosos que são, tudo isto pode ser válido, mas quem tira vantagem disto são os transgressores a braços com a justiça.

O mais curioso também, por coincidência ou não, é que, próximo de tempos eleitorais, uma série de processos saem do torpor em que se encontravam, duma espécie de coma a que se juntam as novidades de outros que aparecem qual magia. E, curiosamente, a maior parte pela mão do mesmo juiz. Mas isto é impressão minha, o tempo da justiça é o que é, e pronto. Não acho mal desde que de facto a justiça funcione e termine célere.

Mas voltemos ao propósito que aqui me trouxe. João Miguel Tavares coloca dois juízes em dois níveis, um do seu agradado, porque implacável e justiceiro e o outro que deixa tudo passar, isto é, abraça a tese do advogado de defesa de Manuel Pinho que admitiu que o Ministério Público querer aproveitar o facto de a instrução do processo ter saído das mãos de Ivo Rosa para as mãos de Carlos Alexandre.

Para João Miguel Tavares, há juízes que fazem o bem perseguindo todos os que prevariquem e sejam oriundos de partidos da área da esquerda e os juízes que facilitam as coisas para o lado da direita, isto, provavelmente, em função dos seus ódios de estimação ou simpatias ideológicas e partidárias. Como ele é um ás da retórica escrita consegue sempre iludir os menos atentos evidenciando-se como um isento redator de opiniões que com o conhecido mecanismo de influenciador e de formação de opiniões

Para ele, JMT, há um juiz bom, o Carlos Alexandre, que “pode ter cometido erros ao longo da sua carreira, mas é um homem abnegado, que procura cumprir o seu dever e honrar o cargo que detém”. Cá está, um super-herói, um justiceiro que vem mesmo a propósito da Comic Con Portugal que se realizou entre 9 e 12 de dezembro do corrente. O outro, um vilão, senhor do mal, Ivo Rosa, “um destruidor de processos, com um ódio patológico à cultura de investigação do Ministério Público, confundindo diariamente o papel de juiz de instrução com o de juiz de primeira instância.”, e por aqui não se fica porque, diz ele, JMT, que “as suas interpretações delirantes são um manancial para expedientes dilatórios das próprias defesas, como se tem visto na Operação Marquês.”. Claro, cá esta´, a Operação Marquês”, Sócrates e outros como Manuel Pinho e outros tantos, todos eles pertencendo ao mesmo naipe odiado por Miguel Tavares que, suponho eu, nem deveriam ter direito a julgamentos, logo para a prisão direitinhos, porque o julgamento já se fez, e muito bem, na comunicação social.

Quanto ao outro lado, quando os crimes são procedentes da direita se não a omissão fica-se caladinho ou muito comedido nas críticas para que a opinião pública não fique com o sentimento de que as suas opiniões sobre o exercício da justiça são apenas para um dos lados.

Vejamos o que ele, JMT, escreve: “Não faltam por aí rumores de estratagemas usados por procuradores para evitar que lhes caia a fava de terem Ivo Rosa como juiz de instrução. Note-se, contudo, que esses estratagemas não existem porque os procuradores só gostem de juízes “fáceis”. Eles existem porque é impossível trabalhar com Ivo Rosa em matérias de criminalidade económica. Não por ser um juiz de instrução rigoroso, mas por ser um fetichista da lei que descobre tantas e tão criativas ofensas a direitos fundamentais que acaba a trucidar o direito mais fundamental de todos para quem veste a beca de juiz – a procura de justiça”. Fantástico, não é?

Como já escrevi no início o que vem a propósito é o meu ceticismo quanto à justeza e isenção das opiniões traçadas por opinion makers que no olho do lado direito utilizam uma pala translucida e com o olho esquerdo destapado fazem parecer mais nítidas as visões de fação. Assim, também, quando escrevo, não consigo esconder a fação, mesmo ao tentar esboçar as minhas visões com os dois olhos, sem pala.

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publicado às 15:43

O tempo da justiça beneficia o infrator

por Manuel_AR, em 13.12.21

Tempo da justiça e do infrator.png

Para além do mais o processo João Rendeiro traz-nos a propósito a criminalidade que fez escola nos últimos anos e a benignidade da forma como a justiça portuguesa muitas das vezes trata os crimes perpetrados por poderosos da alta especulação por atividades financeiras especulativas e ilícitas. A corrupção passiva e ativa de políticos, banqueiros e seus satélites deixa-nos a perceção de impunidade desses senhores arrogantes que nos fazem de parvos.

Os senhores da alta finança sabem e acreditam ou, se preferirem, acreditavam, que o seu estatuto e os meios de que dispõem os tornam intocáveis perante um poder político e uma justiça que se vai arrastando passinho a passinho.

Quando apanhados não ficam sem chão, com o dinheiro ganho em negociatas, recebimentos de luvas ou subtraído a outrem, recorrem aos melhores, mais caros e mais conhecidos escritórios de advogados especialistas na área que os vão “safando” e protelando o final da chatice, por vezes até às prescrições dos processos. Acreditar na justiça e deixar a justiça fazer o seu trabalho sim, mas há limites! Veja-se por exemplo o caso do julgamento de Duarte Lima, antigo deputado do PSD, acusado pelo homicídio de Rosalina Ribeiro, ocorrido no Brasil em 2009, vai iniciar-se só em 9 de março de 2022 no Juízo Central Criminal de Sintra, 12 anos depois.

E não deverá ficar por aqui, surgirão “pauzinhos na engrenagem” para continuar a empatar. Nada disto passa em branco numa sociedade que contempla tudo isto. Dizem-nos que há o tempo da política e o tempo da justiça. A sério?!

Ainda a propósito de João Rendeiro tem-se falado e escrito muito na última semana, mas e outros casos que não fugindo andam por aí, aguardando ou adiando julgamentos e possíveis condenações o passa para a opinião pública a ideia da demasiada complacência para com esses senhores.  Deram-lhe tempo para tudo inclusivamente para fugir.

Conforme tem sido divulgado pelos órgãos de comunicação social Rendeiro teve tempo para vender bens imobiliários, obras de arte, engendrou moradas falsas na Polónia e até teve tempo de sobra para preparar a fuga com tal desplanto que parece um filme de uma série policial em que, no final o criminoso consegue escapar-se indo passar os seus dias numa praia de um qualquer paraíso. Não terá sido apenas João Rendeiro que sozinho arquitetou todo plano, decerto que teve como conselheiros advogados estrategas nestas andanças.

Os populismos da extrema-direita sabem bem aproveitar tudo isto lançando desconfianças acerca da justiça em Portugal devido à disparidade de acesso e de tratamento entre arguidos com mais ou menos posses.

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publicado às 18:50


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